Teste em shoppings reprova 21 restaurantes

Amostras tinham coliformes fecais; pior da lista já foi fechado por rede

Cristiane Bomfim, Elvis Pereira e Lais Cattassini, O Estadao de S.Paulo

06 Agosto 2009 | 00h00

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) constatou a presença de coliformes fecais - bacilos intestinais presentes nas fezes - em talheres, pratos ou bandejas utilizados por 21 restaurantes por quilo de shoppings paulistanos. As amostras foram recolhidas em janeiro. A farmacêutica Irma Gutierrez, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e doutora em Microbiologia, afirmou que há duas explicações para o resultado: o empregado do restaurante sai do banheiro e volta a trabalhar sem lavar a mão ou a água utilizada na lavagem foi contaminada com fezes. "O maior perigo existe quando o alimento é consumido cru", destaca. Ao todo, a Pro Teste visitou 30 restaurantes de cinco shoppings da cidade (Aricanduva, Ibirapuera, Interlagos, Metrô Tatuapé e Morumbi). Com uma escova, os pesquisadores recolheram amostras dos materiais e enviaram para laboratórios especializados. Nove estabelecimentos passaram no teste, sendo dois deles, o Mister Árabe, do Shopping Aricanduva, na zona leste, e o Texano Grill, do Shopping Ibirapuera, na zona sul, com pontuação máxima (boa) nos três utensílios analisados. No outro lado da lista, aparecem 21 restaurantes. Cinco deles apresentaram dois dos três utensílios analisados com registros de coliformes fecais. O Mister Sheik, do Shopping Metrô Tatuapé, na zona sul, foi o único reprovado nos três itens. A unidade já encerrou as atividades, segundo a rede. A pesquisadora Fernanda Ribeiro, responsável pelo levantamento, explicou que o objetivo foi contribuir para o bem-estar dos consumidores. Trata-se da primeira análise da entidade voltada para esses materiais. "Em uma pessoa mais sensível, os coliformes podem causar diarreia", alertou. Segundo ela, a conclusão do teste é enviada aos restaurantes percorridos e para a Vigilância Sanitária. Procurada, a Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) informou que, até ontem, não havia recebido o resultado da pesquisa. O órgão destacou que os restaurantes com falhas na higienização dos utensílios podem até ser fechados. Inicialmente, lavra-se um auto de infração. A partir daí, inicia-se um processo administrativo que pode culminar na aplicação de multas, interdição e inutilização de produtos, equipamentos e, por último, no cancelamento do Cadastro Municipal de Vigilância Sanitária. A Vigilância fiscaliza as praças de alimentação conforme a demanda de cada região. "Isso varia conforme denúncias, solicitações de cadastro e programas específicos", ressaltou o órgão, em nota. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, existem equipes para executar essa tarefa nas 25 Supervisões de Vigilância em Saúde (Suvis) e, sempre que necessário, há a participação da equipe central da Covisa.

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