Teste vai mapear a ociosidade de vagas

Em julho, na mesma região do novo sistema, foram tirados 500 lugares

NAIANA OSCAR e VITOR HUGO BRANDALISE, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

O controle eletrônico da Zona Azul permitirá à Prefeitura monitorar a movimentação de veículos em boa parte das 33 mil vagas da cidade. Com isso, será possível planejar o corte e a ampliação do sistema de estacionamento. Nos últimos dois anos, foram criadas cerca de 2 mil vagas. Mas centenas também deixaram de existir, principalmente onde o trânsito é complicado. Em julho, na região em que está sendo implantada a compra de créditos por celular, a Prefeitura acabou com 500 vagas de Zona Azul e proibiu o estacionamento em período integral em 15 vias. Das 1.902 vagas nos Jardins, 636 foram desativadas e outras 123, criadas. Dois meses antes, a CET havia proibido o estacionamento no lado par da Rua Bela Cintra, entre a Rua Estados Unidos e a Alameda Jaú. "Com o meio eletrônico vamos enxergar a ocupação do sistema, demonstrar locais disponíveis e outros com problemas", diz o gerente de estacionamento da CET, Celso Buendía. ESPECIALISTASNeste ano, para tornar mais rigorosa a fiscalização de veículos estacionados em local proibido, o município contratou uma empresa terceirizada para prestar serviços de guinchamento. Hoje, 38 guinchos estão à disposição da CET. Desde o fim de 2004, o serviço estava parado por causa de um contrato não renovado. Por conta disso, os marronzinhos apenas multavam os motoristas, descumprindo o Código de Trânsito Brasileiro, que exige que se faça remoção.O engenheiro de Trânsito e professor da Escola Politécnica da USP Jaime Waisman vê a iniciativa como uma "evolução" no método de controle de estacionamento em vias públicas. "Começou com talões de papel ou moedas em parquímetros, método analógico para todo mundo, depois uma das vias passou a ser eletrônica (o fiscal, com palmtop à mão) e, agora, é o usuário quem poderá conseguir créditos para estacionar pelo celular", disse. "Mas a questão principal é se o sistema será funcional ou se haverá quedas no sistema a todo momento." Para o engenheiro e consultor de tráfego Horácio Figueira, a Prefeitura deveria repensar os investimentos em fiscalização no trânsito."A Prefeitura deveria investir mais em fiscalizar os carros em movimento. O fiscal está ali, para monitorar os carros estacionados, mas logo ao lado, um motorista passa no sinal vermelho, pára na faixa de pedestres, dirige falando no celular. O mais importante, a diminuição no número de vítimas de acidentes, só virá se for mudado o foco da fiscalização ", disse. "Quem deveria pagar pela Zona Azul são os comerciantes, os maiores beneficiados com a rotação de vagas. O cidadão comum acaba arcando com despesas que só beneficiam a quem está esperando clientes."Para moradores das regiões em que o sistema será testado, a iniciativa de ampliar as opções no controle dos estacionamentos é bem-vinda - desde que os velhos talões de papel não sejam aposentados. "O sistema convencional funciona muito bem. Somos contrários a informatizar totalmente os estacionamentos, pois os fiscais da Zona Azul, como estão sempre circulando, ajudam a aumentar a sensação de segurança", diz a presidente da Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro Cerqueira César, Célia Marcondes. "Vamos ver se a população do bairro, a maior parte composta por gente mais velha, vai usar o sistema."

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