Testemunha-chave facilitou prisão de policiais no Rio

Uma testemunha-chave, cujo nome não foi divulgado, pode ter ajudado a polícia a identificar os 19 policiais militares envolvidos com traficantes da Favela Vila Ipiranga, em Niterói, no Grande Rio.Moradora do local, ela teria fornecido informações sobre o caso, mas o delegado Anestor Magalhães não divulgou o seu depoimento. Nesta quinta-feira, 18 PMs foram presos, depois que escutas telefônicas de celulares dos criminosos mostraram que eles negociavam o valor de subornos e a venda de armas.O PM, que nas conversas foi identificado como Caveira, ainda está foragido. O delegado ouviu até agora seis dos 18 policiais que trabalhavam no 12 º Batalhão de Polícia Militar, no bairro do Fonseca, mas só dois quiseram falar, já que os outros disseram que só prestariam depoimento em juízo.Durante os depoimentos, os PMs negaram as acusações, segundo o delegado. ?Não citaram o nome de ninguém, só disseram que eram inocentes, mas acho que todos são culpados.?Magalhães informou ainda que, durante os três meses de investigação, foram gravadas cerca de 20 horas de conversas entre os policiais e os traficantes. Um deles é Anderson Oliveira Sant? Anna, o Anderson Negão, que controla o tráfico na Vila Ipiranga e está sendo procurado pela polícia, junto com mais 10 criminosos.?Em alguns momentos eu ficava com a consciência pesada por não poder fazer nada, mas isso faz parte?, disse. O Secretário de Segurança Pública do Estado, Roberto Aguiar, afirmou que a prisão de policiais não é novidade e que novos fatos devem vir à tona sobre envolvimento de integrantes da corporação com criminosos.?Não se assustem, que vem mais coisa por aí. O que estamos vendo é um fenômeno novo dentro do Estado do Rio de Janeiro. Geralmente, prendemos um ou dois policiais, mas, neste caso, houve necessidade de maior investigação. A novidade é colocar a público esse fato.?A polícia começou a ouvir os policiais militares acusados de envolvimento com traficantes da Favela Vila Ipiranga, em Niterói.O delegado Anestor Magalhães ouviu até agora 6 dos 18 policiais, mas só 2 quiseram falar. Os outros disseram que só falariam em juízo. Durante os depoimentos, os PMs negaram as acusações. "Só disseram que eram inocentes, mas acho que todos são culpados."

Agencia Estado,

29 de novembro de 2002 | 20h14

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.