Testemunha diz que Daniel abriu mão de sua vida por Suzane

O ator Sérgio Gargiulo, amigo e vizinho de Daniel Cravinhos, disse que Daniel Cravinhos abria mão de sua vida para cuidar de Suzane von Richthofen e não o contrário. Na segunda-feira, primeiro dia do julgamento pelo assassinato do casal Richthofen, Suzane disse que abriu mão de sua vida e de seus sonhos por Daniel.Gargiulo disse que Daniel, cujo hobby era a prática de aeromodelismo, passou a construir menos aviões para levar e buscar Suzane na faculdade, nas aulas de inglês e em várias outras atividades. O pai dele, Astrogildo, segundo o ator, supria as dificuldades financeiras do filho, decorrentes da diminuição de trabalho.O ator foi o primeiro a ser interrogado no terceiro dia de julgamento, que começou com uma hora de atraso. Depois dele, começou a depor Alexandre Basílio, ex-Presidente da Associação Brasileira de Aeromodelismo. Durante os 40 minutos de seu depoimento, Basílio falou sobre a habilidade de Daniel como piloto e construtor de aeromodelismo. Basílio disse que Daniel e Astrogildo eram freqüentadores da Associação. Segundo ele, Daniel sobrevivia da montagem de aviões, especialmente de modelos caros. Basílio, que não conheceu Suzane e Christian, disse que Daniel freqüentava a casa dele, às vezes acompanhado do pai, "sempre presente", disse.Ele destacou que Daniel sempre se destacava entre os primeiros colocados das competições e que, se usasse drogas com freqüência, teria seus reflexos piorados. Basílio descreveu Daniel como um a pessoa pacata e quieta. "Nunca tive problemas com ele durante toda minha presidência. Ele era respeitador e fácil de trabalhar". A próxima testemunha a depor é Silvio Tadeu Vieira, vizinho da família Cravinhos. Estão previstas ainda outras 5 testemunhas para hoje.AcareaçãoAo chegar ao Fórum da Barra Funda, o advogado Adib Geraldo Jabur, que defende os irmãos Daniel e Christian Cravinhos, disse que ainda irá avaliar a necessidade da acareação entre seus clientes e a outra ré, Suzane von Richthofen. O procedimento já foi considerado dispensável pelo Ministério Público, que acredita que os depoimentos das testemunhas de acusação, colhidos ontem, já tenham sido suficientes para corroborar sua tese. Caso a acareação não aconteça, o julgamento poderá ser agilizado em pelo menos 5 horas, afirma o MP. Por estes cálculos, a sentença seria proferida na quinta-feira à noite. Caso contrário, o julgamento terminaria somente na sexta-feira. A mãe dos Cravinhos, Nadja, daria o primeiro depoimento - na condição de testemunha de defesa de Christian. Seria a primeira vez que ela se pronunciaria oficialmente no processo. A pedido do juiz Alberto Anderson Filho, as duas testemunhas de Daniel, que passaram mal nos últimos dias, foram ouvidas antes de Nadja. Somente depois desses depoimentos, o juiz decidirá se haverá ou não acareação entre os réus. ContradiçõesEm seus interrogatórios, Daniel, Christian e Suzane entraram em contradição. Daniel Cravinhos inocentou seu irmão, Christian, dizendo que matou sozinho o casal Richthofen. Christian repetiu a versão do irmão, dizendo que apenas confessou o crime para protegê-lo. Suzane, por outro lado, se defendeu das acusações de Daniel, segundo quem ela teria fumado maconha antes de conhecê-lo e não era mais virgem. Suzane rebateu as declarações, dizendo que apenas conheceu as drogas após começar o namoro com Daniel. CrimeSuzane, seu ex-namorado Daniel e o irmão dele, Christian, confessaram ter planejado e matado os pais dela, Marísia e Manfred von Richthofen, a golpes de barra de ferro, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002.Os três foram denunciados pelo Ministério Público por crime de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas. (Colaborou: Bruno Tavares)Ampliada às 12h41

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