Testemunha diz que foi convidada a castrar meninos

A testemunha Edmilson da Silva Frazão confirmou hoje, em depoimento ao juiz Ronaldo Valle e diante da acusada de envolvimento na castração e morte de crianças em Altamira, Valentina de Andrade, que esteve na chácara do médico Anísio Ferreira onde participou por cerca de duas horas, em 1990, de um culto em companhia de um homem, conhecido por Antonio Paraná. Ele disse que após a cerimônia foi convidado, juntamente com Paraná, para se integrar à seita Lineamento Universal Superior (LUS), liderada por Valentina. "Eles disseram que estavam precisando de mais pessoas para atrair crianças para emascular e atingir outras localidades", contou Frazão. Anísio Ferreira foi condenado em agosto passado a 77 anos de prisão pela castração e assassinato de três meninos e tentativa de homicídio contra outras duas crianças. O depoimento provocou um bate-boca entre o advogado Dalledone Júnior, defensor de Valentina, e o assistente da promotoria, Clodomir Araújo. Para Júnior, a testemunha estava sendo contraditória, mas Araújo rebateu, afirmando que Frazão estava se sentindo ameaçado e com sua família sob proteção da Polícia Federal. Dalledone chegou a pedir ao juiz para anexar antecedentes criminais da testemunha e apresentar contestação ao depoimento, alegando que Frazão fora informante e "alcagüete da polícia", tendo ajudado nas investigações. A promotora Rosana Cordovil protestou, dizendo que a juntada de antecedentes fora do prazo não podia ser permitida. O juiz acolheu o argumento da promotora. A segunda testemunha da acusação a ser ouvida foi Rosa Cunha Chipaia, irmã do índio Jurdilei Chipaia, uma das crianças assassinadas e emasculadas em Altamira. Rosa depôs como testemunha informante do juiz. Ela contou que seu irmão ficou desaparecido por vários dias, até que seu corpo foi encontrado na região com mutilações e sem os órgãos genitais. Jurdilei tinha nove anos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.