Testemunha diz que sacou R$ 250 mil e deu a Lacerda

Uma nova testemunha, ouvida nesta quinta pela Polícia Federal em Varginha, Minas, confessou ter sacado R$ 250 mil e entregue o dinheiro no Hotel Ibis ao petista Hamilton Lacerda, então coordenador da campanha do candidato petista ao governo de São Paulo, senador Aloizio Mercadante. Com o depoimento, a PF acredita ter encontrado a segunda fonte dos reais (R$ 1,16 milhão) destinados à compra do dossiê Vedoin. O dinheiro foi apreendido em poder dos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha num hotel de São Paulo, em 15 de setembro passado.Junto com os reais, a PF apreendeu US 248,8 mil, cuja origem já está identificada. Da parte em moeda nacional, só haviam sido identificados R$ 5 mil, levantados junto ao bicheiro Antônio Petros Kalil, o Turcão, do Rio. Os policiais chegaram ao contraventor porque alguns maços de cédulas, de pequeno valor, estavam envoltos em cintas de papel com a identificação de casas de apostas.A testemunha, cujo nome está sendo mantido em sigilo para não atrapalhar as investigações, disse à PF que o dinheiro pertence ao empresário Luiz Silvério, seu patrão. Parte do dinheiro, R$ 80 mil, teria sido transferido para a conta da testemunha pelo próprio Silvério e o restante teria sido entregue a ele em espécie. A PF vai conferir a operação bancárias para se certificar da denúncia.O inquérito da PF sobre o caso concluiu que Jorge Lorenzetti, ex-coordenador do setor de inteligência da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, a chamada Abin do PT, foi o articulador da operação de compra do dossiê, que se destinava a prejudicar candidaturas do PSDB. Segundo relatório entregue à Justiça Federal, Lorenzetti coordenou um grupo integrado por mais sete petistas já identificados, que se envolveram na operação. O objetivo do dossiê seria vincular candidatos tucanos com a chamada máfia dos sanguessugas. Na véspera da prisão dos dois petistas, Lacerda foi flagrado pelas câmeras de vídeo do Hotel Ibis portando a mala do dinheiro, que depois seria apreendida com Gedimar. O assessor de Mercadante alegou ter levado a mala mas que ela só continha material de campanha, um notebook e boletos de arrecadação do partido.

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