Testemunha reconhece PM como assassino de chacina

Primeira testemunha de acusação ouvida no julgamento do soldado da Polícia Militar Carlos Jorge Carvalho, D. o reconheceu como um dos assassinos que passaram pelo município de Queimados na noite da chacina da Baixada Fluminense, em março de 2005. D. esta com um amigo, que acabou morrendo na chacina, num lava-jato, quando os atiradores agiram. Ele contou que demorou a prestar depoimento contando o que sabia porque sofreu ameaças depois do crime. "No dia seguinte, já estavam me procurando para me matar. Como eu ia sair de casa?". D. disse ainda que recebeu "vários recados" com ameaça. O rapaz depôs vestindo colete à prova de bala e peruca. Ele foi incluído no Serviço de Proteção a Testemunhas. No segundo dia do julgamento de Carvalho, C.H.S., único sobrevivente da chacina, também depôs e reconheceu o PM. "Foi Carlos Carvalho", disse, apontando Carvalho como o homem que atirou em sua perna. C.H.S, de 45 anos, ficou traumatizado depois do crime e perdeu a memória, mas recuperado, decidiu falar pela primeira vez no processo.Os sete jurados - cinco mulheres e dois homens - passaram a noite incomunicáveis num hotel pago pelo Tribunal de Justiça. O julgamento deve terminar nesta quarta-feira, 23.O soldado é acusado de 29 homicídios duplamente qualificados - cometido por motivo fútil (demonstração de força na Baixada Fluminense) e com recursos que impossibilitaram a defesa das vítimas -, uma tentativa de homicídio e formação de quadrilha. Ele já tinha sido condenado a 7 anos e oito meses de prisão, no início deste mês, em outro processo, por receptação de carros roubados.A chacinaA chacina ocorreu na noite de 31 de março de 2005, nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados. Vinte e nove pessoas foram assassinadas e uma ficou ferida. Nesta segunda, 21, cerca de 80 parentes das vítimas lotaram a sala do Tribunal do Júri. Eles chegaram cedo ao fórum, levando faixas de protesto e vestindo camisetas com fotos e nome dos mortos.Ampliada às 12h20

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