Testemunha tem proteção policial, diz delegado de MG

O delegado titular de Monte Sião, Artur Augusto Ribeiro da Silva, concedeu entrevista coletiva na delegacia do município sobre a detenção de Fábio Bernardes, que diz ter informações ligadas ao seqüestro e morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Segundo o delegado, Bernardes está num local seguro e sob proteção policial, mas não está detido porque trata-se de uma testemunha e por isso tem de ser protegido. "Ele tem algum conhecimento sobre fatos que ocorreram, mas não participou", afirmou o delegado que se negou a citar, sequer, se Bernardes ainda está no Estado de Minas e se foi trazido para São Paulo. Ele contou que as informações estão sendo repassadas à polícia de São Paulo e que há interesse dos "órgãos superiores de Minas" em apurar o fato. "Estamos levando tudo a sério", garantiu Silva.De acordo com o delegado, Bernardes contou em seu depoimento que ouviu alguém comentar que planejava crimes contra pessoas importantes da região, referindo-se a Santo André, no ABC paulista. O policial, no entanto, não crê que ele esteja envolvido com os criminosos. Silva informou que ele chegou a citar até apelidos de possíveis envolvidos com um crime, mas que não afirmou se tratar do seqüestro do prefeito.Para o delegado de Monte Sião, a polícia deve proceder com cautela porque há uma recompensa criada pelo governo de São Paulo para quem puder dar informações que levem aos assassinos de Daniel. "Toda informação deve ser analisada com critério", comentou. Ele confirmou informações sobre o depoimento de Bernardes que citou as favelas Tamaratuca e Sacadura Cabral como um dos locais de onde seriam os supostos criminosos.ContradiçãoO delegado Fábio de Oliveira, seccional de Ouro Fino, município localizado próximo a Monte Sião, em Minas, contradisse as informações do colega. Ele informou hoje de manhã, que Bernardes foi colocado em liberdade e desqualificou o depoimento prestado à polícia nesta madrugada. Oliveira, que esteve em Monte Sião e acompanhou o depoimento, o chamou de "caçador de recompensas" e disse que ele ?está querendo aparecer?. "Ele negou tudo depois e afirmou que estava sob o efeito de substância entorpecente", contou o policial. Apesar disso, o delegado confirmou que Bernardes contou ter morado numa favela em Santo André onde conheceu vários bandidos, entre eles, ladrões de carro e até seqüestradores.A suposta testemunha afirmou que no fim do ano passado foi àquele município para visitar uma parente e que participou de um churrasco onde ouviu comentários sobre o seqüestro de pessoas importantes da região. O delegado informou que Bernardes tem vários antecedentes criminais em Minas e em São Paulo, por embriaguez, desacato a autoridade, danos materiais e perturbação da ordem e que não acredita nas palavras dele.

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