Testemunha volta atrás sobre a morte de Toninho do PT

Depois dos suspeitos, que confessaram e negaram o crime em depoimentos posteriores, uma testemunha do inquérito sobre a morte do prefeito Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, voltou atrás em suas declarações. A única testemunha ocular do caso havia afirmado à polícia, na segunda-feira, ter visto ocupantes de duas motos atirando contra o Palio do prefeito no dia do crime. A mesma testemunha, porém, procurou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ontem, no final da tarde, para dizer que teria sido pressionada a fazer a declaração. A testemunha contou ao presidente da OAB de Campinas, Djalma Lacerda, que não chegou a ver as duas motocicletas, como disse à polícia na segunda-feira, mas ouviu apenas um tiro e achou que o barulho fosse de um vidro quebrado. O novo depoimento surpreendeu policiais. Eles argumentaram que a testemunha revelou detalhes sobre o ocorrido para uma perita. Acompanhada apenas dessa testemunha, ela foi até o local para fazer um laudo técnico e um croqui, concluídos hoje e encaminhados ao delegado seccional Osmar Porcelli, a partir das declarações do depoente. O material deverá ser anexado ao inquérito. Lacerda disse que a testemunha alegou não ter sido intimada a depor. Foi convidada a ir até a delegacia por três investigadores e permaneceu no local das 13h às 20h da segunda. No entanto, o delegado seccional Osmar Porcelli disse, na sexta-feira, que havia conversado informalmente com depoente e marcado o testemunho para a segunda. As declarações da testemunha à OAB contribuíram para tornar ainda mais tumultuado o inquérito. Na semana passada, outra testemunha disse no Ministério Público que não havia motos no local no momento do crime. Três dos quatro suspeitos que confessaram o assassinato disseram que tentaram assaltar o prefeito em duas motos. Dois deles negaram o crime posteriormente. Anderson Rogério Davi, Flávio Mendes Claro e Globerson Luiz da Silva estão sob prisão temporária, prorrogada por 60 dias pela Justiça. O prazo da primeira delas vence no próximo dia 6. As outras vencem dias 10 e 17. O quarto suspeito é o menor A.S.C., sob custódia da Vara da Infância e da Juventude. Mesmo com as contradições nos depoimentos, a polícia pretende encerrar até amanhã o inquérito sobre a morte do prefeito, para que dê tempo de a Justiça avaliar o pedido de prisão preventiva dos quatro suspeitos antes do vencimento da primeira temporária. No final da tarde, estava marcado um protesto em frente à delegacia seccional de parentes e amigos dos quatro rapazes detidos. Eles disseram que iriam vestir narizes de palhaços para se manifestar contra a manutenção das prisões temporárias, determinada pela Justiça, e contra a condução das investigações do caso. Os parentes alegam que os rapazes são inocentes e que não há provas contra eles.

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