Testemunhas dão à polícia detalhes do que ocorreu no dia do crime

Elas procuraram delegado do Brás para contar o que ouviram da família do pai da menina, logo após a morte

Bruno Tavares, Marcelo Godoy, Laura Diniz, Carina Flosi e Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

10 Abril 2008 | 00h00

A polícia está perto de esclarecer a morte da menina Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos. Duas testemunhas procuraram o delegado-titular do 8º Distrito Policial (Brás), Roberto Pacheco de Toledo, com importantes revelações sobre o caso. Elas disseram que ouviram de familiares de Alexandre Nardoni detalhes sobre o que ocorreu na noite do crime.Ex-titular do 9º DP (Carandiru), Toledo conheceu as testemunhas quando trabalhava na delegacia que hoje investiga a morte de Isabella. As testemunhas o procuraram porque confiam no policial e queriam sigilo sobre seus depoimentos. Toledo avisou seus superiores. No fim da tarde de ontem, o atual delegado-titular do 9º DP, Calixto Calil Filho, deslocou-se até o 8º DP para ouvi-las. A polícia espera poder anunciar ainda hoje o avanço sobre a investigação do crime, com os primeiros resultados do exame de DNA nos vestígios de sangue encontrados pelos peritos.A Polícia Civil acreditava desde a manhã de ontem que já havia resolvido 70% do caso. "Isso juntando testemunhas e provas técnicas", disse a delegada-assistente do 9º DP, Renata da Silva Pontes. "Se você imaginar o que aconteceu, que nesse caso foi um crime dentro daquele apartamento, a gente já tem 70% referente à dinâmica do crime, ao ferimento e onde aconteceu. Enfim, tudo o que foi feito lá dentro até o óbito (mais informações abaixo)."Isabella morreu após cair do 6º andar, no dia 29 de março. No apartamento, no Edifício Residencial London, na Vila Isolina Mazzei, zona norte, vivem o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, de 29, e sua madrasta Anna Carolina Jatobá, de 24, com dois filhos do casal. Alexandre e Anna Carolina estão presos desde o dia 3."A cada dia que passa estamos sentindo que estamos perto de elucidar o caso", disse Calixto Calil Filho. "Acho que vai ser possível mostrar a cena do crime, quem fazia parte dela e o que aconteceu, exatamente", afirmou o promotor Francisco Cembranelli.Ontem, a polícia ainda ouviu o depoimento de um pedreiro, que teria trocado a porta do apartamento de Alexandre. Já o tenente Fernando Neves Brás foi ao 9º DP rebater as declarações de parentes da madrasta. O pai de Nardoni afirmou a emissoras de TV que, no dia do crime, a polícia não revistou o edifício onde ocorreu a tragédia.Segundo Brás, houve, sim, uma revista minuciosa. O tenente disse ainda que, naquele dia, Alexandre parecia transtornado. "Ele me falava: ?Seu guarda, diz para mim que o coraçãozinho da minha filha ainda está batendo?. Naquele dia, ele seria a última pessoa de quem eu poderia desconfiar."TELEFONEMASOs investigadores receberam ontem os registros das ligações telefônicas feitas por Alexandre e Anna Carolina no dia do crime. O teor do documento não foi divulgado. Embora não seja considerado como uma prova-chave do caso, ele deve ajudar a reconstituir os momentos anteriores e posteriores à morte da menina. O promotor Cembranelli afirmou que a polícia pediu, por ofício, às operadoras de telefonia celular que informassem as últimas ligações. O Instituto Médico-Legal (IML) deve concluir, na próxima semana, o laudo necroscópico de Isabella. Já no Instituto de Criminalística (IC), os peritos vão concluir os laudos sobre pequenas manchas encontradas no Ford Ka de Alexandre. Para tanto, o IC pretende usar o exame de DNA para identificar o material. O mesmo exame será feito nas manchas encontradas no corredor, na sala e no quarto do apartamento. Os peritos também não concluíram a análise das manchas achadas nas roupas que estavam no apartamento vizinho, da irmã de Alexandre, Cristiane Nardoni.

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