Testemunhas depõem contra casal que agrediu filhos

Os depoimentos das testemunhas de acusação foram contraditórios na opinião dos advogados que assistem Alexandre Alvarenga e Sara Maria Rosolen Alvarenga acusados de agredir seus dois filhos em 2 de fevereiro passado. Alexandre arremessou J.A.R.A., de 1 ano, contra o para-brisa de um carro em movimento e depois bateu diversas vezes a cabeça de A.R.A., de 6 anos, no tronco de uma árvore.As oito testemunhas arroladas no processo reafirmaram em juízo as agressões e acrescentaram mais detalhes ao processo. O casal responde por dupla tentativa de homicídio triplamente qualificado.A audiência foi acompanhada pelos réus. Abatidos e com profundas olheiras, balbuciaram poucas palavras entre si. Alexandre chorou váriasvezes e Sara permaneceu apática.A declaração mais contundente foi do motorista da Blazer, Fernando Pompeo de Camargo, de 73 anos, que viu Alexandre jogar o bebê no pára-brisa de seu carro. Com o impacto, a criança perfurou o vidro do veículo. "Ele veio correndo na direção do carro e jogou o boneco (imaginava que fosse) que rompeu o vidro e caiu no meu colo", afirmou, e depois chorou copiosamente quando o juiz pediu que olhasse para os réus e ele notou a presença deles.Os depoentes foram unânimes em afirmar que o casal estava transtornado e gritava. Atestemunha Carlos Eduardo Paes Pereira acrescentou que o casal falava "coisasdesconexas, talvez uma evocação espiritual". O policial militar Gilberto Vivaldini, tambémdepoente, falou que Alexandre repetia "Pai tu me abandonastes", e que Sara repetia "Rá,rá, rá".Conforme ele, quando perguntou ao casal pelas crianças a resposta foi "Já estão com o pai". Foram coletados dos réus amostras de pêlos para a realização de um exame de uso de entorpecentes. Em três exames anteriores, de sangue e urina, um apontou a presença de cocaína e álcool e outros dois deram negativo.As crianças estão sob a guarda do avô, Santo Otávio Rosolen, pai de Sara. "O bebêestá ótimo, dá gargalhadas, brinca e já começa a andar. A menina está freqüentando ocolégio e tem assistência psicológica", afirmou. "Só um médico pode dizer o queaconteceu: Alexandre sempre foi uma pessoa maravilhosa, e Sara uma ótima filha."Alexandre está no CDP de Hortolândia e aguarda vaga na Casa de Custódia, de Taubaté para iniciar tratamento psiquiátrico. Sara está na Penitenciária Feminina do Estado, emSão Paulo. A reconstituição do crime acontece nesta quinta-feira, às 10 horas, e só Sara deve participar.

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