Testemunhas depõem; júri de Pimenta deve acabar hoje

No segundo dia de seu julgamento pelo assassinato da jornalista Sandra Gomide, o também jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, foram ouvidas as oito testemunhas arroladas no processo. Após os depoimentos, acusação e defesa iniciarão o debate. A acusação terá duas horas com direito a réplica para expor as razões para a condenação do réu. A defesa terá igual tempo para tentar aliviar a pena, já que Pimenta é réu confesso. Em seguida, serão formulados os quesitos para a votação dos jurados. A previsão é de que caso prossiga sem interrupção e que o julgamento se encerre na madrugada de sexta, 5. Pela manhã, o pai de Sandra, o aposentado João Gomide, depôs por 35 minutos. Na seqüência, o júri ouviu o depoimento do empresário Deomar Setti, dono do haras onde o crime ocorreu, e da mulher dele, Marlei.Gomide permaneceu calmo durante todo o depoimento e Pimenta parecia inconformado com as declarações do ex-sogro. "Ele era agressivo com a Sandra", disse o pai, referindo-se a xingamentos. Pimenta riu e fez que não com a cabeça.O aposentado relatou que Pimenta ameaçava Sandra, impedia que ela conseguisse emprego, andava armado e premeditou o crime. "Não consigo ver minha filha morta e o Pimenta livre... há seis anos. Isso não é Justiça nenhuma. Eu preferia estar na cadeia do que perder minha filha", afirmou. "Espero que a Justiça seja feita não por vingança, porque eu não sou vingativo. A pessoa tem que pagar por aquilo que fez. Só por que a pessoa tem dinheiro e eu não tenho?"SangueEm seu depoimento, Setti disse que, no dia do crime, Pimenta Neves recusou convite para assistir o abate de um boi porque "não gostava de ver sangue". O dono do haras onde Sandra foi assassinada disse que, naquele dia, o jornalista chegou por volta das 7 horas ao haras, onde mantinha cavalos, e causou espanto. "Ele nunca tinha ido tão cedo." Setti contou que Pimenta foi ver os cavalos na cocheira, tomou uma cerveja e recusou também um convite almoçar. O boi seria servido num churrasco. O dono do haras contou ter ouvido a discussão entre Sandra e Pimenta e disse que ela pediu ajuda. Em seguida ouviu os disparos e pôde ver Pimenta com o revólver na mão, entrando no carro. "Ele apontava a arma em nossa direção." Respondendo a pergunta do juiz Diego Mendes, contou que entre um tiro e outro se passaram de 5 a 15 segundos. O promotor Carlos Horta Filho pediu a ele que relatasse a versão do crime dada pelo caseiro João Quinto, que não foi encontrado para comparecer ao julgamento. Quinto tinha dito na instrução do processo que Pimenta puxou Sandra pelo braço para que conversassem, mas ela se recusou. "Ele a puxou para o carro e ela pediu ajuda ao caseiro. Ele nunca se conformou por não tê-la ajudado, pois ficou com medo." Em seguida, a moça se desvencilhou e correu. "Ele deu o primeiro tiro a uns 2 ou 3 metros dela." Sandra caiu e Pimenta se aproximou. "Estava a 50 centímetros da cabeça quando disparou o segundo tiro."Este texto foi atualizado às 20 horas

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