Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Testemunhas falam dos momentos de desespero após desabamento no Rio

Gerente diz que local ficou parecendo Nova York após 11/09; 'Prédio estava tombando na minha direção'

Estadão.com.br,

26 Janeiro 2012 | 13h38

RIO - Barulho, cinzas e gritos. Esse era o cenário após o desabamento dos três prédios no centro do Rio. A princípio, as hipóteses para o que havia acontecido eram diversas, mas ninguém realmente sabia o que tinha ocorrido nos primeiros instantes.

Abaixo, você lê os relatos de quem presenciou o desmoronamento ou estava por perto na hora do acidente.

Torres gêmeas. O cenário, segundo o gerente Antônio Barbosa de Lima contou, lembrava as imagens de pessoas caminhando após o ataque ao World Trade Center em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Assim como no ataque terrorista, as ruas ao redor dos prédios caídos estavam cobertas com poeira das estruturas destruídas. As pessoas que passavam pelo local andavam sem rumo pelo bairro que horas antes tinha movimento comercial normal de uma quarta-feira.

"Não consigo imaginar o tamanho da tragédia. Mas as ruas não estavam mais cheias nesse horário. O bar (Luiz) mesmo já estava vazio", conta o gerente do bar na Rua do Carioca. "Essa é uma parte muito comercial da cidade, mas o expediente termina cedo. Quando escurece, já fica tudo vazio", relatou Lima, deixando clara a esperança de que ninguém tivesse se ferido no acidente.

Desaparecidos. O contador Everton Assunção Ferreira trabalhava com o pai em um escritório de contabilidade, no sétimo andar do Edifício Liberdade. Ele contou que, 30 minutos depois de ter saído do imóvel, ouviu no rádio do carro a notícia que o prédio em que estava havia desabado. O pai dele, no entanto, havia ficado no escritório.

"Voltei imediatamente ao prédio, mas por causa do bloqueio das ruas pela polícia, não tive mais notícias dele", disse Ferreira, muito preocupado. Segundo o contador, o edifício na Avenida Treze de Maio estava com problemas. "É bom ressaltar que o prédio estava em péssimas condições de manutenção", afirmou.

Pouco antes do desabamento, o bancário Orlando Silvino, de 52 anos, estava em companhia de um amigo na lanchonete de produtos naturais no térreo do edifício. "O meu amigo foi até o prédio para entregar um documento quando ouvi um estrondo em um dos andares onde havia uma obra. Começou então a cair pedras e subir muita poeira. Não tive mais notícias dele", conta Silvino.

Estrondo. Quem também estava na lanchonete no térreo pouco antes do desabamento era Ricardo Santos, de 50 anos. Ele trabalha em uma empresa de engenharia vizinha ao Edifício Liberdade. Santos havia acabado de sair da lanchonete quando houve o estrondo, a queda das pedras e, por fim, a destruição completa do edifício.

"Estava bem perto do prédio quando comecei a ouvir barulhos. Parecia que estavam caindo pedras dos últimos andares. O edifício estava tombando na minha direção." Santos diz não ter ouvido explosão nem visto fogo. "O barulho foi contínuo, como se fosse um avião pousando." / COM FABIO GRELLET, FELIPE WERNECK, FELIPE FRAZÃO, BRUNO RIBEIRO e ARTUR RODRIGUES

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