Testemunhas não reconhecem PM que atirou em estudante

Testemunhas reconheceram hoje três dos seis policiais militares presos administrativamente por terem participado, no sábado à noite, da operação ilegal no Morro da Pedreira que resultou na morte do estudante Wilton Cesário da Silva, de 14 anos. Os policiais negaram ter estado na favela, em Acari, na zona norte, mas a própria polícia identificou os carros da corporação que estiveram no local, sem ordem superior, na hora do crime. As quatro testemunhas prestaram depoimento hoje na 1.ª Delegacia de Polícia Judiciária, no Méier, zona norte. Elas não reconheceram, porém, nenhum dos policiais como o autor do tiro que matou o menino.Os depoimentos foram acompanhados pelo deputado Alessandro Molon (PT), integrante da Comissão de Direitos Humanos daAssembléia Legislativa (Alerj). Para Molon, após o reconhecimento, os policiais deveriam ficar presos preventivamente, ou seja, por pelo menos 30 dias. Os PMs são do 9.º Batalhão (Rocha Miranda) e foram detidos na noite de sábado. A prisão administrativa é válida por 72 horas. O deputado contou que uma das testemunhas ouviu os policiais dizerem que tinham cometido um erro e matado uma criança.Outro caso de morte de menor, supostamente durante tiroteio entre PMs do 16.º Batalhão (Olaria) e traficantes da favela Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte, foi causa de um tumulto, hoje. Aproximadamente cem pessoas se concentraram, à tarde, no Largo da Penha para protestar. Um ônibus foi depredado e um caminhão, que iria abastecer um supermercado, saqueado. Houve tiroteio, mas até o início da noite não havia registro de feridos. Ninguém foi preso.Em Santa Cruz, zona oeste, quatro homens morreram supostamente em confronto com PMs do 27.° Batalhão (Santa Cruz), no Conjunto Guandu. Eles foram socorridos no Hospital Pedro II, mas não resistiram. Até o fim da tarde, apenas um havia sido identificado: Cristiano Miranda, de 19 anos. Segundo a polícia, duas pistolas calibre 9mm, uma calibre PT-380, um revólver calibre 38, 134 sacolés de cocaína e 37 trouxinhas de maconha foram apreendidos com os mortos.

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