Testemunhas viram garotos em carro da PM antes de morrerem

Três testemunhas das seis ouvidas até agora confirmaram que os adolescentes Thiago de Souza Marques de Oliveira, de 15 anos, Leandro Celestino Rodrigues, 16, e Vladir Borges Furtado Barbosa, de 19 anos, foram colocados à força no carro do Grupamento Especial Tático Móvel da Polícia Militar (Getam), na noite de sábado, no Rio Comprido, zona norte. Os três foram encontrados mortos no dia seguinte com tiros na cabeça, em Inhaúma, longe de onde desapareceram. Eles foram enterrados hoje. Apesar dos depoimentos, a participação de policiais militares ainda não foi confirmada. ?As testemunhas disseram que viram os garotos sendo colocados no carro da PM, mas há somente indícios de envolvimentos dos policiais. O comandante do Getam recebeu um ofício para que revele os nomes do PMs em operação naquela área?, disse ontem o delegado Leandro Gontijo, da 6ª Delegacia Policial (Cidade Nova). Segundo ele, no sábado, dois comboios do Getam (um com quatro carros e o outro com três) patrulhavam a região. Na mesmanoite, um bar que fica na esquina das ruas Barão de Petrópolis e Caetano Martins, no Rio Comprido, havia sido assaltado. ?Ou os meninos participaram do assalto ou correram do tiroteio, mas nada justifica o que aconteceu com eles?, disse o delegado. Já os parentes dos adolescentes afirmam que os rapazes tinham acabado de sair de uma festa junina, por volta de 23h30, narua Caetano Martins, quando viram os PMs e fugiram com medo. Os três moravam no morro do Fogueteiro, próximo dali. ?Ospoliciais chegaram de carro atirando pela contra mão. Os meninos se esconderam debaixo de um carro, mas foram vistos pelos PMs e agredidos?, contou Márcio Jorge Bezerra dos Santos, de 22 anos, que é irmão de Thiago. Durante o enterro de Barbosa e Oliveira, que ocorreu às 14h30 de ontem, no cemitério do Catumbi, zona norte, o clima era derevolta. Amigos e parentes gritavam por justiça. Rodrigues foi sepultado pela manhã em outro cemitério. ?Só pegaram meu filho porque ele ficou com medo e se escondeu. Arrastaram ele que nem um cachorro?, disse a manicure Maria de Fátima Ferreira Borges, de 40 anos, mãe de Barbosa.

Agencia Estado,

14 de junho de 2004 | 18h20

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