Teto para plebiscito no Pará é de R$ 10 milhões

Campanhas a favor e contra a divisão do Estado começam hoje e podem custar quase o dobro do que Simão Jatene gastou para se eleger governador nas eleições do ano passado

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2011 | 00h00

Começa hoje a campanha do plebiscito que decidirá sobre a proposta de divisão do Pará em até três Estados, criando as unidades de Tapajós e Carajás. Cada frente - duas pró-separação e duas contra - poderá gastar, no máximo, R$ 10 milhões. O teto foi estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base nos gastos previstos para uma campanha ao governo do Estado. Nas eleições do ano passado, Simão Jatene (PSDB) gastou R$ 5,3 milhões para se eleger governador do Pará. Já sua principal adversária, Ana Júlia Carepa (PT), desembolsou cerca de R$ 13 milhões.

Apesar da existência de quatro frentes, na prática haverá dois grandes grupos: os favoráveis e os contrários à divisão do Estado. O plebiscito está marcado para 11 de dezembro e as inserções no rádio e na TV só poderão começar um mês antes da votação. Até lá está liberada a realização de comícios, shows e debates, além da distribuição de panfletos e a circulação de carros de som. A propaganda por meio de outdoors não será permitida. Ainda que se trate de uma eleição inédita - é a primeira vez que a criação de um Estado vai ser decidida nas urnas - os envolvidos dizem que será como uma campanha eleitoral comum.

O marqueteiro Duda Mendonça será um dos responsáveis pela campanha separatista. Baiano, Duda é proprietário de terras na região de Carajás e está fazendo o trabalho de graça. O jingle composto por ele sugere que todos os paraenses pertencem a uma só família, mas que "um dia todo filho cresce e chega a hora da emancipação".

As cores predominantes nas peças publicitárias pró-Carajás e pró-Tapajós serão o verde e o amarelo. O principal desafio desses grupos será convencer a população do restante do Pará a votar pela divisão: são quase 64% da população. Segundo o deputado Lira Maia (DEM-PA), esse fator determinou uma das estratégias da campanha: focar as ações na região metropolitana de Belém. "Vamos colocar carros de som na rua, fazer debates", disse.

Do lado antisseparatista, a identidade visual da campanha usa o branco e o vermelho da bandeira do Pará e foi desenvolvida por empresas locais. De acordo com o deputado estadual Celso Sabino (PR), a campanha contra a divisão ocorrerá em todo o Estado, inclusive nas áreas que estão reivindicando a emancipação. "Nós já identificamos pontos de resistência no próprio pretenso Estado do Tapajós, como a cidade de Altamira", contou.

A principal discussão do plebiscito gira em torno da distribuição de recursos do Estado. Somente na região de Carajás existe a expectativa de uma onda de investimentos de US$ 32,8 bilhões até 2014, principalmente da Vale, nos setores de mineração e siderurgia.

Financiamento. A partir de hoje, cada frente poderá abrir uma conta bancária para começar a captar recursos para a realização das campanhas.

Os dois grupos a favor da criação dos Estados de Tapajós e Carajás vão ser financiados, principalmente, por empresários ligados ao agronegócio, além de prefeitos e líderes políticos das regiões. Já as duas frentes contrárias a separação do Estado estão tendo dificuldades para conseguir levantar recursos. "Não estamos apostando em recursos extraordinários. Estamos apostando numa participação popular maciça", disse Sabino.

Até agora, foram realizadas poucas pesquisas de opinião para avaliar como a população vai votar no dia 11. O último levantamento foi feito em julho, pelo Instituto Vox Populi. Segundo a pesquisa, 42% dos entrevistados são contra a divisão e 37%, a favor. Na época, 22% dos entrevistados disseram que estavam indecisos ou não tinham opinião formada sobre o assunto.  

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