Thomaz Bastos classifica de tragédia morte de juiz

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, classificou de ?tragédia lamentável? o assassinato do juiz da Vara de Execuções Penais, Alexandre Martins de Castro Filho, hojede manhã, em Vila Velha, na Grande Vitória (ES). Elecancelou a palestra que iria proferir esta tarde, em Fortaleza, durante o I Congresso Internacional sobre Administração Prisional e Segurança Pública e seguiu, ao meio-dia, de Fortaleza para Vitória onde terá encontro com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PSB).Thomaz Bastos acompanhará pessoalmente as investigações sobre o crime. Ainda em Fortaleza, ele prometeu: ?Vamos reagir. Eles (membros do crime organizado) não vão vencer essa batalha. Ao contrário, vão ser derrotados e vão pagar um preço bem caro por esse tipo de violência?.De acordo com o ministro, o assassinato do juiz tem dois significados. Primeiro, que o crime organizado aumentou o seu nível de atuação. ?Mudou a qualificação dele?, frisou Thomaz Bastos. Segundo, que a Justiça tem uma determinação do presidente Lula de enfrentar sem tréguas o crime organizado. ?Nós vamos enfrentá-los e vamos vencê-los?, garantiu o ministro.Para combater o crime organizado, Thomaz Bastos afirmou ser preciso construir as instituições republicanas. ?No Brasil, ultimamente, o que tem acontecido é que as pessoas se preocupam demais com as mudanças das leis sem se preocuparem com o fato de que o fundamental é mudarmos os braços que o Estado tem de atuar sobre a realidade, que são a Polícia, o Poder Judiciário e o Sistema Prisional?, diagnosticou.Em seguida, ele culpou governo de Fernando Henrique Cardoso pela falta de um programa organizado de segurança. ?O último governo teve nove ministros da Justiça em oito anos de mandato o que torna claramente impossível e impraticável qualquer plano racional de luta contra aviolência?, disse.Thomaz Bastos fez questão de lembrar que o atual governo tem um projeto contra a violência e que o mesmo, segundo ele, foi ?fartamente discutido e elogiado durante a campanha eleitoral? e que está sendo posto em prática. ?Ao mesmo tempo, estamos enfrentando essa escalada do crime organizado duramente. Estamos reagindo. Vamos usar todos os instrumentos que o Estado tem ao lado da construção das instituições republicanas necessárias para enfrentá-los?, insistiu.Ele preferiu não adiantar que estratégia será usada no caso do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho. ?Seria precipitado. Não dá para fazer uma análise em cima dos fatos. É preciso um serviço de inteligência que a Polícia Federal está fazendo, que o Exército está fazendo. Nós estamos enfrentando esses bandidos em nível de Estado Maior. Estamos enfrentando com seriedade, tentando superar as deficiências que nos foram legadas pelo governo anterior?.Reforma JudiciáriaThomaz Bastos também falou sobre a Reforma do Poder Judiciário. Disse considerá-la ?fundamental? para o Plano deSegurança. ?O Poder Judiciário precisa ter uma resposta mais ágil, mais forte às atitudes criminosas e às condutas fora da lei. Nós consideramos isso uma prioridade do governo Lula?, sentenciou. ?Não é uma reforma que você possa fazer da noite para o dia. Você não pode mudar com um tiro de canhão o Poder Judiciário brasileiro. É uma coisapaulatina, lenta, mas que estamos trabalhando nela deste o primeiro dia em que tomamos posse?, garantiu.Segundo ele, é preciso investir em gestão, treinamento de pessoal e informática, cobrança de resultados, diminuição do percurso e do tempo de demora dos processos de modo que eles não se eternizem. ?Não é possível que um processo demore dois anos e meio para ser distribuído no Tribunal de Justiça. Isso significa a negação da Justiça. Não é possível que um crime de homicídio leve dez anos para ser julgado, como existem tantos casos?, condenou o ministro. De acordo com ele, é preciso antes fazer reformas legislativas e depois reestruturar a Justiça como um todo. ?Mas, para isso não existe Pronto Socorro; não existe pretaportê. Temos que fazer um trabalho lento, um trabalhometódico, que está sendo feito desde o dia primeiro de janeiro de 2003?.Sobre supostos envolvimentos de juizes com o crime organizado, Thomaz Bastos que o Poder Judiciário não está nem acima e nem ao lado da Lei. ?Qualquer suspeita que envolvam membros do Poder Judiciário tem que serinvestigada com rigor. É por isso que nós inclusive defendemos o controle externo do Poder Judiciário, através de um órgão chamado Conselho Nacional de Justiça, que possa fiscalizar o cumprimento dos deveres funcionais e a execução orçamentária e financeira.?, finalizou.Veja o especial:

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