Thomaz Bastos não acredita em impugnação de Lula

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse nesta sexta-feira não acreditar em uma eventual impugnação da candidatura do presidente Lula, depois de concluídas as investigações sobre a origem do dinheiro para a compra do dossiê Vedoin. "Não existem fatos que signifiquem a existência de qualquer crime eleitoral", disse o ministro, para quem é preciso estabelecer todos os fatos, levá-los a juízo "e discutir em cima disso".Para o Thomaz Bastos é evidente que a candidatura do presidente Lula só teve prejuízo com o dossiê. "O resto é elucubração, é vontade de tirar efeitos eleitorais de uma investigação", disse.Na opinião do ministro, não existe possibilidade de a oposição vencer com uma eventual impugnação da candidatura de Lula. "Não tem tapetão. O Brasil passou dessa fase. Não existe mais essa possibilidade de ganhar no tapetão, nem no futebol", afirmou.Diante da insistência dos repórteres sobre a possibilidade de ter havido crime eleitoral na origem do dinheiro para a compra do dossiê, Thomaz Bastos reafirmou que isso é fazer "futurologia" e "manifestar desejos". "Não acredito que no Brasil, no estágio atual da nossa democracia, com esse milagre que vai ocorrer domingo, de uma eleição absolutamente democrática, com uma campanha com liberdade, não acredito que se possa falar em retrocesso ou querer ganhar no tapetão", afirmou.Thomaz Bastos disse que juridicamente será examinado o tipo de crime cometido na origem do dinheiro para a compra do dossiê. "Mas não pode ser examinado à luz apressada, de desejos eleitorais. Isso tem que ser analisado em concreto. Pessoalmente, pelo que conheço, não vejo a menor possibilidade de impugnação do mandato do presidente Lula. É preciso esperar o fim das investigações".DesconfiançaO ministro manifestou desconfiança no depoimento do funcionário de uma empresa de eventos Agnaldo Henrique de Lima. Lima declarou à Polícia Federal ter sido usado como laranja para levar parte do dinheiro destinado à compra do dossiê Vedoin a Hamilton Lacerda, então coordenador de campanha do candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante."Se esse depoimento for comprovado, se houver prova documental, podemos dizer que essa é uma pista forte da origem do dinheiro", afirmou. "Depoimento espontâneo nesse momento precisa ser avaliado com muito cuidado, porque nesse momento dos acontecimentos é preciso checar tudo, com cautela, porque a tentação, às vezes, é as pessoas chegarem e levantar coisas", acrescentou.Segundo o ministro, a Polícia Federal abriu quase 30 pistas e está checando todas elas. Agora, segundo Thomaz Bastos, a PF tenta obter extratos bancários para ver se as informações conferem.ParabénsThomaz Bastos iria até o Palácio da Alvorada para cumprimentar o presidente Lula pelo seu aniversário. Também foram cumprimentar o presidente os ministros do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, das Relações Exteriores, Celso Amorim, da Defesa, Waldir Pires, e das Cidades, Márcio Fortes, além de assessores.

Agencia Estado,

27 de outubro de 2006 | 11h25

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