Marcos Arcoverde/Estadão
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Thor Batista terá de pagar multa por romper contrato com família de ciclista

Justiça puniu filho do empresário Eike Batista por ter contado, em depoimento, que pagou R$ 630 mil a familiares de homem que atropelou e matou em 2012

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2013 | 19h17

RIO - A 10ª Vara Cível do Rio determinou que o empresário Eike Batista e seu filho Thor paguem uma multa de R$ 500 mil à família do ajudante de caminhoneiro Wanderson Pereira dos Santos, que morreu após ser atropelado por Thor em março de 2012. Esse valor é cobrado pela família de Wanderson como punição por Thor por ter contado, durante depoimento à Justiça, que pagou R$ 630 mil aos parentes de Wanderson.

Segundo a decisão do juiz Ricardo Cyfer, Eike e Thor podem recorrer da multa, mas apenas se recolherem o valor da multa ou indicarem um bem de valor semelhante que sirva de garantia quanto ao pagamento.

Após o acidente, mesmo alegando não ter culpa pelo atropelamento, Thor fez um acordo com a família do ajudante de caminhoneiro. Ele ofereceu R$ 315 mil à mulher de Wanderson, Cristina, R$ 315 mil à tia que criou o rapaz, Vicentina, e R$ 100 mil a um amigo da família que auxiliou financeira e emocionalmente Cristina e Vicentina nos dias seguintes ao atropelamento. O advogado que representou a família na negociação recebeu R$ 270 mil.

Ao firmar o acordo, em 22 de março de 2012, os envolvidos se comprometeram a não divulgar valores, sob pena de ter de pagar R$ 500 mil à parte contrária. O dinheiro foi pago um mês depois.

Segundo o advogado da família de Wanderson, Cleber Rumbelsperger, durante o depoimento à Justiça, em abril, Thor contou sobre o acordo e não pediu que fosse decretado segredo de Justiça. "Se os advogados de Thor tivessem pedido (segredo), mesmo se o juiz não decretasse, eles teriam cumprido a parte deles. Mas não pediram, então Thor rompeu a cláusula que dá direito à multa."

No dia 15 de maio de 2013, o Ministério Público divulgou o acordo e desde então, segundo o advogado, Cristina e Vicentina passaram a ser abordadas por familiares e vizinhos em busca de dinheiro.

Os representantes de Eike Batista ainda não se manifestaram sobre o caso.

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