Tia deve responder por tortura

Prima da criança morta na sexta também será acusada; para delegado, ?maus-tratos estão quase comprovados

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2009 | 00h00

Após os depoimentos de vizinhos e do irmão da austríaca Sophie Zanger, de 4 anos, que morreu na sexta-feira no Rio, o delegado titular da 36ª Delegacia de Polícia de Santa Cruz (zona oeste), Agnaldo Ribeiro da Silva, quer indiciar a tia da criança, Geovana dos Santos Vianna, de 42 anos, e a filha dela, Lílian dos Santos, de 21, por tortura. A pena é de oito anos de prisão - o crime é hediondo e inafiançável - mas pode chegar a 10 pelo fato de a vítima ser uma criança."Os maus-tratos já estão praticamente comprovados. Estamos colhendo mais depoimentos para provar que as surras eram constantes e indiciá-las", disse o delegado, que aguarda o laudo cadavérico.Ontem, Geovana e Lílian foram à delegacia e prestaram depoimento por mais de seis horas. "Foi uma fatalidade. A menina escorregou, caiu e foi socorrida. Não estamos foragidas e não tem ninguém pedindo nossa prisão", disse Lílian ao sair do distrito. Questionada sobre os hematomas na menina apontados pelo Boletim de Atendimento Médico do Hospital de Saracuruna, ela apenas disse desconhecer, e acrescentou que o "laudo é que vai dizer isso". Sobre depoimentos de vizinhos apontando maus-tratos, afirmou: "falam o que querem"."O depoimento delas não acrescentou nada ao inquérito. Negaram tudo, são boazinhas e cristãs", ironizou o delegado. Sophie e o irmão R., de 12 anos, foram trazidos da Áustria pela mãe brasileira, sem o consentimento do pai, austríaco, em janeiro de 2008. As crianças viviam com a tia, mas foram retiradas da casa dela em março e entregues pelo Conselho Tutelar ao pai. Após o menino dizer que era abusado por ele, os conselheiros determinaram que as crianças voltassem para a tia (leia mais no box).Hoje, outros depoimentos de vizinhos serão tomados. Amanhã será a vez dos médicos que atenderam Sophie. O portão da casa de Geovana amanheceu pichado com as palavras "assassina" e "covardia". "Me chamava atenção o choro constante de uma criança", disse um vizinho de Geovana, Márcio Alves.No depoimento de anteontem, R. revelou o cotidiano na casa da tia pouco antes da morte da irmã. As surras de chinelo e tapas eram constantes e aplicadas por Geovana e Lílian, segundo o menino. Dois dias antes da queda da menina no banheiro, R. notou que Sophie estava com forte cheiro de urina e muitos hematomas no corpo.No dia 12, R. dava banho na menina quando, segundo ele, ao se virar para pegar uma toalha, a irmã caiu, bateu com a cabeça em uma pedra de mármore e desmaiou. Ela recobrou os sentidos, mas desfaleceu novamente. R. e a prima M., de 11 anos, chamarem os vizinhos. Após passar uma semana internada, Sophie morreu na sexta-feira. Os advogados do pai, Sasha Zanger, anunciaram que a 27ª Vara Federal autorizou a entrega do corpo de Sophie a ele, que deverá ser levado para a Áustria. A mãe das crianças, Maristela dos Santos, fará tratamento psicológico. Ela confessou à polícia que, com medo de perder a guarda dos filhos, inventou que o ex-marido abusara de R. E admitiu saber que Geovana batia em seus filhos.

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