Tijuca empolga avenida; Mocidade e Imperatriz recebidas com frieza

Escola de Padre Miguel ?esnobou? setor popular ao deixar de apresentar a sua comissão de frente ao público

Clarissa Thomé e Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

05 de fevereiro de 2008 | 00h00

Segunda escola a entrar na Passarela do Samba ontem à noite no Rio, a Unidos da Tijuca, com enredo sobre coleções - de pingüins, canetas, figurinhas -, empolgou o público de ponta a ponta na Marquês de Sapucaí. Antes, Mocidade, apesar de desfile alegre e colorido, contagiou apenas parte do público e até mesmo esnobou os espectadores do setor popular ao não apresentar a comissão de frente. A escola de Padre Miguel e a Imperatriz Leopoldinense, que também pouco agitou o sambódromo, cantaram a mesma história: os 200 anos da chegada de d. João VI e da corte portuguesa ao Brasil. A Mocidade foi mais longe no tempo e contou a história desde d. Sebastião, rei de Portugal no século 16. Apesar do desfile bonito, com fantasias e alegorias com luxo e acabamento impecável, a Imperatriz não conseguiu levantar o público da Sapucaí, que apenas aplaudia quando Luiza Brunet passava à frente dos ritmistas. A rainha de bateria que representava a ninfa das águas do Rio Tejo, magérrima e com uma fantasia pequena como há muito ela não vestia, fez retorno deslumbrante à passarela. Luiza, que voltou a reinar na bateria da Imperatriz depois de dois anos afastada, se emocionou na concentração. "São muitas emoções juntas. Estou fazendo 24 anos de passarela e volto à Imperatriz. Venho sem meu marido, Armando, porque estamos separados temporariamente", disse. "Todo ano digo que não vou chorar, mas já estou começando."Com o enredo O Quinto Império do Brasil: uma utopia na História, a Mocidade pôs d. João VI para sambar na comissão de frente, que simulou um passeio da corte pelo Rio. Ele ressurgiu só no sexto carro alegórico.A escola foi até Portugal de d. Sebastião, o Desejado - assim chamado porque seu nascimento era considerado crucial para a perpetuação da dinastia de Avis. A bateria veio fantasiada de d. Sebastião, e sua rainha, a formosa Thatiana Pagung, de "tentação do rei". "Eu amo isso aqui! Desta vez é muito mais responsabilidade", dizia. A Mocidade foi bicampeã nos anos 1990 e vem amargando péssimas colocações nos últimos carnavais. A Tijuca mostrou sua coleção de máscaras de carnaval para o setor popular. Ganhou o público. O carro que mostrava um o pavão, símbolo da Tijuca, veio com 80 bailarinos, que abriam leques, formando as asas do bicho. "As alegorias vivas são nossa marca", disse o presidente da escola, Fernando Horta. Num dos mais belos carros, homens e mulheres vestidos de boneca lembravam a coleção preferida das meninas. Na bateria, mestre Casagrande arriscou três paradinhas, que acabaram apelidadas de Tropa de Elite. "Os críticos de carnaval avisaram para eu não fazer, que era arriscado. Mas está bem ensaiadinho", disse ele, que por garantia, levava arruda no bolso do paletó. À frente dos ritmistas, Adriane Galisteu representava a guardiã da floresta.O enfoque da Imperatriz, terceira escola a desfilar ontem, sobre d. João VI, foi bem diferente da São Clemente e Mocidade. A carnavalesca Rosa Magalhães, impressionada com a quantidade de mulheres chamadas Maria na vida de d. João VI, idealizou o enredo João e Marias - a mãe, a nora, a neta, entre outras. A escola pode ser prejudicada na evolução porque o quinto carro emperrou, provocando um buraco entre as alas.

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