Tim Lopes gostava de matérias difíceis

Tim Lopes era seu nome profissional. Elenasceu Arcanjo Antonino Lopes, na Mangueira, na zona norte doRio, onde passou a infância e voltava sempre para prestigiar aescola de samba do seu coração ou para desenvolver trabalhossociais com as crianças da comunidade. Circulava com a mesmadesenvoltura em biroscas da favela, bares da zona sul egabinetes de governantes e empresários. Gostava de matériasdifíceis, denúncias que precisavam ser apuradas e envolviampesquisa, investigação e risco. Tal como esta última que lhecustou a vida. Tim nasceu de uma família humilde e começou a trabalharem redação na antiga revista "Manchete", como contínuo, nofinal dos anos 60. De lá para cá, Tim teve uma carreirabrilhante. Trabalhou em "O Globo", "O Dia", "Jornal doBrasil" e "Placar". No ano passado, Tim Lopes ganhou oprimeiro Prêmio Esso de Telejornalismo, com a reportagem que fezpara o "Jornal Nacional" sobre a venda livre drogas na Favelada Grota, no Complexo do Alemão, próximo da Favela Vila Cruzeiro onde foi visto pela última vez, no dia 2 de junho.Seu amigohá mais de 20 anos, o jornalista Alexandre Medeiros diz queaprendeu muita coisa com Tim, principalmente como chegar nascomunidades carentes e se aproximar dos moradores, sempredesconfiadas de quem é de fora. "Fui com Tim muitas vezes naMangueira e, quando ele chegava, era uma festa." Tim foipadrinho da filha caçula de Medeiros, poucos dias antes dedesaparecer. "Ao longo da vida, fizemos muitas matérias juntose agora estávamos escrevendo um livro com perfis de sambistas doRio. Agora, vou ter de acabar sozinho. É muito doloroso, mas vouem frente fazer esta homenagem a ele." Tim Lopes, ao longo de sua carreira, sempre optou porreportagens investigativas. Passou por caminhoneiro, paradenunciar a máfia da Polícia Rodoviária, dormiu em favela eviveu em clínicas de dependentes químicos para mostrar ascondições subumanas utilizadas no tratamento dos pacientes. Timera querido pelos companheiros pelo seu bom humor e disposiçãopara sempre ajudar quem estivesse precisando. Alegre, gostava deuma boa conversa nos botequins e de dançar nas gafieiras. Era casado há 10 anos com a designer Alessandra Wagner etinha um filho do primeira casamento, Bruno Lopes, de 19 anos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.