Polícia Civil/Divulgação
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Tios-avós são acusados de torturar menino em ritual de magia negra

Criança foi retirada da casa dos parentes, com quem morava, após visita do Conselho Tutelar; segundo polícia, casal confessou crime

Lucia Morel, Especial para O Estado

24 de fevereiro de 2016 | 12h46

CAMPO GRANDE - Um menino de 4 anos foi internado na Santa Casa de Campo Grande (MS) na noite desta terça-feira, 23, após visita do Conselho Tutelar. A suspeita é que o garoto - hospitalizado com dilatação e inchaço no abdome e na região escrotal e queimaduras na face - tenha sido vítima de maus tratos, praticados pelos tios-avós. Segundo a polícia, os tios-avós confessaram o crime e disseram que utilizavam a criança em rituais de magia negra, para obter prosperidade. Um jovem de 18 anos foi preso por suspeita de participação no crime. 

O menino morava com os tios-avós em Campo Grande havia dez meses, após ser abandonado pela mãe e ser deixado pela avó, que cuidava dele, mas alegou falta de condições financeiras. Com isso, os tios-avós, seus parentes mais próximos, conseguiram a guarda.

Assim como os tios-avós da criança, o rapaz deve responder por crime de tortura qualificada por lesão grave. Segundo a Delegacia de polícia de Aquidauana, o rapaz vai ser transferido para Campo Grande, onde permanecerá detido.

 

Já a tia-avó do menino teve de ser retirada do Presídio Feminino Irmã Irma Zorzi, na capital, porque as presas do local se revoltaram e ameaçaram rebelião com a chegada dela. Cadeados de celas chegaram a ser quebrados. Segundo a Agência Estadual de Gestão do Sistema Penitenciário (Agepen), a mulher será levada para uma unidade prisional feminina do interior do Estado, mas não foi informado para qual cidade.

As Polícias Militar e Civil passaram a acompanhar o caso depois que o Conselho Tutelar visitou a casa onde a criança morava com os tios-avós e as duas filhas do casal. Lá, observaram as agressões - parte delas já cicatrizadas, o que indicaria que a violência é praticada há um tempo. 

À polícia, a tia contou que recebia "entidades" e "espíritos" e que batia na criança a mando deles. Entre as agressões cometidas estavam queimaduras com água quente no rosto, orelhas e pescoço e socos e pancadas. As duas filhas do casal não sofriam maus tratos.

A quantidade de ferimentos e lesões no corpo do menino chamou atenção da equipe médica que o atendeu na Santa Casa, onde continua internado.

Conforme o hospital, o menino está consciente e passou por procedimento de drenagem do inchaço em sua orelha esquerda. Ele está com apenas 20% de visão no olho direito e parece ter perdido 100% da visão do olho direito. 

 

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