Tiro que matou coronel Ubiratan saiu de seu próprio revólver

Agora é oficial. O Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Técnico-Científica comprovou que o coronel da reserva e deputado estadual Ubiratan Guimarães foi assassinado com sua própria arma: um revólver calibre 38, que desapareceu de seu apartamento, nos Jardins, zona sul de São Paulo.O exame de confronto balístico constatou que o projétil apreendido no sofá da vítima tinha impressões de raia idênticas a dos fragmentos recolhidos num sítio em Espírito Santo do Pinhal, onde Ubiratan costumava praticar tiro ao alvo. A impressão de raia é a marca do interior do cano da arma que fica estampada no projétil. É como uma impressão digital: cada arma deixa a sua.O laudo balístico foi entregue ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na noite de terça-feira. O delegado Marco Antônio Olivato ainda aguarda o resultado do exame metalográfico (que busca vestígio de sangue e tiro) nas roupas da advogada Carla Prinzivalli Cepollina, de 40 anos, e nas toalhas apreendidas no apartamento de Ubiratan.Na semana passada, Carla foi indiciada por homicídio doloso duplamente qualificado, por motivo fútil (ciúmes) e impossibilidade de defesa da vítima (que estava desarmada e alcoolizada). O delegado Armando de Oliveira Costa Filho, chefe da Divisão de Homicídios, e o promotor Luiz Fernando Vaggione disseram, com convicção, que ?Carla é a assassina do coronel?. O promotor adiantou que vai oferecer denúncia contra a advogada, para que ela seja processada criminalmente pelo assassinato.A Polícia Civil atribuiu à advogada a autoria do crime antes mesmo de receber todos os laudos do Instituto de Criminalística. A conclusão da autoria foi resultado de um conjunto de indícios que apontavam a advogada como única suspeita de ter feito o disparo. Só Carla esteve no apartamento de Ubiratan no sábado à noite, segundo os porteiros do condomínio.LigaçõesNo período em que estava lá, ela atendeu a duas chamadas telefônicas da delegada federal Renata Azevedo dos Santos Madi. A primeira ligação, feita às 19h03, motivou uma briga entre o casal, logo após Ubiratan falar por alguns segundos com a delegada. Na segunda chamada, às 20h26, Renata não falou com o coronel. A polícia suspeita que, nessa hora, Ubiratan já estivesse morto.Os policiais que investigam o caso têm uma tese coerente para o motivo da discussão entre Ubiratan e Carla. Eles sustentam que a mensagem de texto enviada para o celular de Renata, às 18h54 do dia 9, foi redigida por Carla, e não por Ubiratan.Quem levantou essa hipótese foi a própria Renata, quando ligou para o coronel e ele lhe respondeu que não havia enviado nenhum torpedo, porque estava dormindo. A polícia acredita que, a partir dessa ligação, Ubiratan questionou Carla sobre a mensagem endereçada à Renata e os dois discutiram, o que a levou a atirar contra ele. Três moradores do prédio de Ubiratan ouviram, entre 19 horas e 19h30, um barulho que depois consideraram ser de um tiro. Nesse intervalo, a quebra de sigilo telefônico revelou que Carla ligou para a mãe, a também advogada Liliana Prinzivalli. A conclusão dos policiais é de que ela fez a chamada logo depois de ter atirado no namorado, possivelmente para pedir ajuda ou instrução sobre como proceder. Liliana insiste em dizer que a filha é inocente. A advogada confirma que recebeu um telefonema da filha logo após as 19 horas. Entretanto, diz que Carla ligou para perguntar se havia visitas em casa e avisar que chegaria mais tarde naquele dia.

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