Tiros que mataram criança em Salvador partiram de arma de PM, diz perícia

Estudante de 10 anos foi atingido por dois tiros durante operação contra tráfico de drogas no bairro do Nordeste de Amaralina, no último dia 21

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2010 | 15h42

SALVADOR - A Secretaria de Segurança Pública da Bahia apresentou, na manhã desta quinta-feira, 16, em Salvador, o laudo da Polícia Técnica relativo à morte do estudante Joel da Conceição Castro, de 10 anos, atingido por dois tiros durante uma operação de combate ao tráfico de drogas da Polícia Militar no bairro do Nordeste de Amaralina, no último dia 21. De acordo com a perícia, os disparos que atingiram o menino foram feitos pelo soldado Eraldo Menezes de Souza, que há 14 anos integra a corporação. Souza e outros oito policiais que participaram da operação estão afastados.

 

Segundo o secretário César Nunes, a perícia não confirmou a hipótese defendida pelos policiais de que houve troca de tiros durante a ação. "A perícia não encontrou nenhum estojo (cartucho) que não fosse os das armas da corporação; então não há indício, até o momento, de que tenha havido tiroteio", afirma. "As provas estão sendo encaminhadas para a Polícia Militar para que sejam juntadas ao procedimento administrativo que investiga o caso."

 

Outra preocupação da investigação, segundo Nunes, é determinar a origem da arma que estava sendo usada por Souza na operação - uma pistola ponto 40. "A arma tinha a numeração raspada e precisamos verificar sua procedência e o motivo de estar sendo usada."

 

Joel era filho do capoeirista Joel Castro, conhecido como mestre Ninha, e integrava o grupo Gingado Baiano. No início do ano, o estudante havia estrelado, junto com o pai, uma propaganda do governo da Bahia, para promover o turismo no Estado.

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