Tiroteio deixa 1 morto e 2 feridos no Complexo do Alemão

Segundo dia da operação da Polícia Militar e da Força Nacional tem tiroteio com traficantes; menina de 9 anos foi atingida na perna, mas está fora de perigo

Agencia Estado

15 de junho de 2007 | 02h51

Um violento tiroteio no Morro da Chatuba, no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, deixou um homem morto e dois feridos nesta quinta-feira, 14. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, um homem branco, ainda não identificado, com cerca de 20 anos chegou morto ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, com um tiro no tórax.Grabriele da Silva, de 9 anos, foi atingida na perna esquerda, mas está fora de perigo, de acordo com os médicos. Em estado grave, Ronaldo Faria da Silva, de 30 anos, foi ferido no tórax e está sendo operado. A Operação Cerco Amplo, da Força Nacional de Segurança e da Polícia Militar, ocupa todos os acessos do conjunto de favelas do Alemão e trilhas das matas na Serra da Misericórdia, em busca de armas e de criminosos.OcupaçãoDepois de 43 dias de operações na Vila Cruzeiro, favela do Complexo do Alemão, a Secretaria de Segurança decidiu ampliar o cerco a todas as saídas do conjunto de favelas da zona norte na quinta-feira. A região foi ocupada no início da manhã por 450 policiais, 150 deles da Força Nacional de Segurança. Outros 300 são PMs de 17 batalhões do Rio. Os confrontos já deixaram 17 mortos e 65 feridos.De acordo com o subsecretário de Integração Operacional, Roberto Sá, a nova estratégia da polícia é parte da segunda etapa da ocupação da Vila Cruzeiro, o principal reduto do Comando Vermelho. A decisão foi tomada na noite de segunda-feira, numa reunião do secretário José Mariano Beltrame e da cúpula da segurança com o governador Sérgio Cabral (PMDB). Naquele dia, o comandante da PM, coronel Ubiratan Ângelo, encerrou às pressas um encontro com diretores de escolas no complexo e deixou o local sob forte tiroteio.O governador, que na quarta assinou convênio com a ONG Ibiss - liberando R$ 850 mil para atividades esportivas na Vila Cruzeiro -, disse que a operação policial é o caminho. "Nossa orientação é continuar a combater a criminalidade para acabar com o mando dos criminosos em comunidades. Isso é intolerável. É trabalho sem trégua."A Força Nacional chegou ao complexo de favelas às 8h50 e ocupou os acessos à Favela da Grota. Os soldados foram recebidos com explosões de bombas artesanais e responderam com disparos de fuzil. Ao mesmo tempo, a polícia entrou na Vila Cruzeiro, onde também houve confronto. O comércio foi parcialmente fechado e as aulas acabaram suspensas. Homens, mulheres e até crianças foram revistados pela Força Nacional. "Estou com medo de andar por aqui. Entrei pela Grota para visitar a minha avó, isso aqui não era assim antes. Parece que nunca vai ter fim", disse o estudante R.P, de 13 anos, que havia sido revistado pelos agentes.A polícia ocupou "mais de 20 acessos", nas palavras de Roberto Sá. Pela primeira vez, o Batalhão Florestal atuou simultaneamente, vasculhando as trilhas nas matas da Serra da Misericórdia, apontadas como rotas de fuga dos criminosos. Os policiais tinham mandados de prisão a cumprir e ordem judicial para desocupar três construções usadas como casamatas pelo tráfico. Os PMs não localizaram as casas.Texto ampliado às 14h46 para acréscimo de informações.

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