Tiroteio e perseguição assustam universitários no RJ

Motoristas que passavam pela Rua do Bispo, no Rio Comprido, zona norte da cidade, viveram uma noite de terror, ontem. Dois homens em uma motocicleta atiraram contra um carro da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil. Os policiais revidaram e iniciaram uma perseguição aos criminosos. Para escapar do tiroteio, motoristas deram marcha-à-ré. As aulas na Universidade Estácio de Sá, que fica na Rua do Bispo, foram suspensas e a via ficou interditada.A troca de tiros ocorreu por volta das 21 horas. Durante a perseguição, os criminosos fugiram em direção ao Morro do Turano, abandonaram a moto e se esconderam na favela. Policiais tentaram subir o morro para recuperar a motocicleta, mas foram impedidos pelos tiros dos traficantes. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi chamado para ocupar a favela. "Demos um auxílio à Core, que não foi treinada para essas ocupações. Depois que a situação foi controlada, nós deixamos o morro", disse o comandante do Bope, coronel Venâncio Moura.Em pânico, os alunos da Estácio de Sá não puderam deixar o câmpus da universidade, porque a Rua do Bispo ficou interditada. A instituição tem estado constantemente no alvo de traficantes. Na manhã de 11 de março, o estudante de Odontologia Luiz Fernando Feliciano Marcondes Jr., de 19 anos, filho do cantor Neguinho da Beija-Flor, foi baleado quando caminhava em direção à faculdade.O diretor de Marketing da Estácio de Sá, professor Marcelo Campos, minimizou o episódio. "Esse problema não se restringe à Estácio. Precisamos dar crédito ao novo governo, às autoridades", afirmou.MorteO soldado da Polícia Militar, Marco Aurélio Docéu Valério, de 33 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça, depois que foi abordado por criminosos na Rua Engenheiro Assis Ribeiro, em Bento Ribeiro. Valério estava com a namorada, Renata Sabidos da Silva, e comemoravam o dia dos namorados. A polícia investiga se o PM foi vítima de uma quadrilha de roubo de carros ou de vingança.Renata contou que um Chevette branco passou várias vezes na rua em que o casal namorava. Numa delas, Valério ajeitou sua pistola. Logo a seguir, o carro voltou, um homem saltou do carona armado de fuzil e ordenou que o policial levantasse a camisa. Valério recursou-se, ofereceu a chave do carro e virou de costas para o criminoso. O homem, então, disparou contra o PM. Valério caiu no chão, e o carro saiu em alta velocidade."Tudo indica que se trata de uma quadrilha de roubo de carros que atua na área", afirmou o titular da 30.ª Delegacia de Polícia (Marechal Hermes), Otílio Bezerra. Ele, no entanto, disse ter recebido a informação de que Valério teria registrado queixa por ameaças que teria sofrido da ex-mulher. "Por enquanto é só um informe, sem muitos detalhes. Mas também investigarei essa hipótese", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.