Tiroteio entre traficantes e PMs para linha de trem

Passageiros ficaram 30 minutos no meio do fogo cruzado em Senador Camará, na zona oeste da cidade

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 de março de 2009 | 00h00

A interrupção do tráfego de trens deixou cerca de quatro mil passageiros de três composições no meio de um tiroteio entre policiais militares e traficantes durante 30 minutos, em Senador Camará, na zona oeste do Rio. De acordo com a Supervia, os trens pararam depois que tiros atingiram a rede elétrica que alimentava o ramal. Ninguém ficou ferido. Os trens pararam às 7h10 e o percurso até a estação final de Santa Cruz (zona oeste) só foi retomado às 17h15. Revoltados, alguns passageiros depredaram parcialmente a estação de Santíssimo durante a manhã.O tiroteio começou por causa de uma operação do 14º Batalhão da PM de Bangu nas favelas de Senador Camará, Taquaral e Coreia. O objetivo dos policiais era apurar a denúncia de que um homem seria executado por traficantes. Em Senador Camará, os bandidos ocuparam a passarela da estação de trem e trocaram tiros com os policiais. Os trens pararam entre as estações de Santíssimo e Senador Camará. Os passageiros tentaram se proteger e ficaram deitados nos vagões. Como os trens permaneceram parados, alguns deles saíram e andaram pela linha férrea. A Supervia reconheceu que o número de agentes de segurança foi insuficiente para orientar a todos, entre idosos e mulheres grávidas. A PM divulgou que um suposto traficante morreu no tiroteio. Um fuzil AK-47 e um radiotransmissor foram apreendidos."Ficamos mais de 30 minutos no meio do fogo cruzado. Ninguém nos deu satisfação ou devolveu o dinheiro", lamentou uma passageira que não quis se identificar. Após o tiroteio, técnicos foram para o local, às 8h30, para iniciar os reparos. Às 8h50, o tiroteio foi reiniciado, interrompendo os serviços, que foram retomados quase duas horas depois. A proximidade entre as linhas férreas e as favelas do Rio já colocaram em risco até ministros. Em setembro de 2007, o trem em que viajavam os ministros das Cidades, Márcio Fortes, e da Secretaria dos Portos, Pedro Brito, foi atacado a tiros por traficantes da favela do Jacarezinho, na zona norte. Ninguém ficou ferido. O objetivo da viagem era vistoriar a instalação de um muro que separaria os trilhos de uma ocupação irregular.

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