Tiroteio fecha Linha Amarela no Rio

O Rio viveu neste domingo mais uma madrugada violenta. A Linha Amarela voltou a ser fechada ao tráfego por causa de um tiroteio entre policiais militares e criminosos ocorrido perto da Cidade de Deus, na zona oeste. Cerca de duas horas depois, policiais trocaram mais tiros com traficantes da favela e um bandido morreu. Na noite de sábado, dois PMs foram baleados durante assaltos e um deles morreu.A circulação de veículos na pista sentido Barra da Tijuca da Linha Amarela foi interrompida por volta das 3 horas, por cerca de vinte minutos, segundo a PM. A decisão foi tomada para proteger os motoristas que passavam pelo local dos tiros trocados entre policias do Batalhão de Policiamento de Vias Especiais (BPVE) e traficantes que estavam numa passarela. Os bandidos fugiram para a Cidade de Deus. Ninguém foi preso. Desde o início do ano, a via expressa foi fechada quase 20 vezes por causa da violência.Às 5h30, uma outra equipe de policiais, do Grupamento Especial Tático Móvel (Getam), trocou tiros com traficantes da Cidade de Deus dentro da favela. Um dos gerentes do tráfico no local, Leandro da Silva Jovenal, o Bola, morreu. Foram apreendidos na operação dois carregadores de fuzil com 28 munições, um carregador de pistola com 63 munições, um celular e a chave de uma moto usada pela quadrilha. Em Piabetá, na Baixada Fluminense, dois homens morreram depois de um confronto com policiais, por volta das 3 horas. Eles estavam com um revólver e uma pistola.No sábado à noite, o sargento da PM Gilberto Marins Silva, de 43 anos, lotado no 16º batalhão (Olaria), morreu ao reagir a um assalto no bairro de Brás de Pina, na zona norte. Ele estava à paisana em seu carro, o Vectra branco de placa LBK 1773, quando foi abordado por dois homens armados. De acordo com a polícia, ele teria reagido ao assalto e foi baleado. O automóvel foi roubado pelos bandidos. O sargento chegou a ser levado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, mas já chegou morto. Silva foi enterrado hoje à tarde no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste.Também na noite de sábado, o soldado Sancler Hipólito de Alencar, do 5º Batalhão (Praça da Harmonia), levou dois tiros ao ser identificado como PM durante assalto a uma van que passava pela Penha, na zona norte. Ele ia na van para casa e não estava armado. Segundo a polícia, ele não reagiu. Foi ferido quando os bandidos encontraram sua carteira da polícia. O soldado está internado em observação no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Central da PM.Na manhã de sábado, outro PM foi ferido durante tiroteio. Baleado na cabeça por um tiro de fuzil durante troca de tiros com traficantes do Morro da Mangueira, na zona norte, o soldado Fernando César está no Hospital da PM e seu estado inspira cuidados. Na noite de sexta-feira, o policial civil André Candeiras foi assassinado após ser abordado numa falsa blitz, em Cachambi, na zona norte. Ele voltava para casa quando foi interceptado pelos bandidos. Recebeu nove tiros e morreu na hora. Também na noite de sexta-feira, a estudante Verônica Rangel, de 22 anos, e a secretária Glória Guimarães, de 48, morreram com tiros na cabeça durante confronto entre PMs e bandidos. Elas conversavam num bar no Rocha, zona norte. A PM investiga se as balas partiram das armas dos policais.

Agencia Estado,

24 de novembro de 2002 | 16h06

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