Tiroteio nas favelas do Pavão-Pavãozinho causa pânico no Rio

Ação da polícia prendeu três pessoas e apreendeu drogas, mas não encontrou procurado; ninguém ficou ferido

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2008 | 12h30

A Polícia Civil fez nesta quinta-feira, 14, uma operação no conjunto de favelas Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, com 80 homens, dois helicópteros e um carro blindado. Quando chegaram ao morro, por volta das 9 horas, os agentes foram recebidos a tiros e reagiram. Um intenso tiroteio se seguiu por mais de 15 minutos e deixou em pânico os moradores do morro e do asfalto. Os pedestres procuraram abrigo em lojas e restaurantes.   Ninguém ficou ferido, mas o funcionário público Milton dos Santos, de 46 anos, e sua filha Gabriele, de 11 anos, levaram um susto quando o vidro traseiro do carro em que estavam foi atingido por uma cápsula deflagrada, segundo a polícia, de uma das aeronaves usadas na ação. Na hora, Santos estacionava o carro em frente à casa em que moram, na Rua Saint-Romain, um dos acessos ao morro.   "Estava trazendo a minha filha da aula de natação e estacionava o carro quando o tiroteio começou. Ficamos dentro do carro, mas quando o vidro estilhaçou achamos que tínhamos nos tornado alvos e saímos correndo. Não há perfuração no carro, por isso a polícia acredita que a cápsula caiu do helicóptero. Minha filha está traumatizada", disse o funcionário público, que registrou a ocorrência na 13ª Delegacia de Polícia de Copacabana.   O delegado-titular da Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (Drae), Carlos Alberto Oliveira, comandou a ação e disse que cerca de 15 homens atiraram contra os helicópteros da polícia, provocando a reação dos agentes. "Foram muitos tiros e os policiais reagiram. Os criminosos fugiram para as matas que cercam a favela e encontramos rastros de sangue no caminho. Isso indica que alguém do bando foi ferido", declarou o delegado.   A polícia ficou cerca de cinco horas na favela e apreendeu duas pistolas 9 mm, sete granadas, um revólver 38, cinco mil papelotes de cocaína, um quilo e 50 bolas de haxixe, 200 tabletes de maconha, rádios-transmissores, um colete falso da Polícia Civil e 13 caixas de morteiros. Após a troca de tiros, foram presas três pessoas.   Gérson Porfilho, de 23 anos, que estava armado, saiu há um mês do Presídio Vicente Piragibe, onde cumpriu pena de dois anos e quatro meses por tráfico de drogas. Carlos Wagner da Conceição e Adalberto de Oliveira Barbosa Lima, ambos com 23 anos, foram presos com entorpecentes. Sem algemas, os policiais imobilizaram a dupla com fios de plástico. Na sede da Drae, os dois foram algemados.   No entanto, o principal objetivo da operação não foi cumprido. A meta era prender o traficante e assaltante Paulo Henrique Duarte Correia, o Juca Bala, de 32 anos, apontado como líder do tráfico na favela. Ele é acusado de comandar os roubo das armas cenográficas da equipe do filme "Tropa de Elite", no Morro Chapéu Mangueira, no Leme, em novembro de 2006, e de duas metralhadoras do Museu Histórico do Exército, no Forte de Copacabana, no ano passado.   Atualizado às 19 horas

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