Rio tem 11 tiroteios em um dia; mulher morre com bala perdida

O confronto mais violento aconteceu no início da manhã no Vidigal por horas e deixou um policial ferido; no morro da Mineira, uma mulher de 54 anos morreu atingida por uma bala perdida

Roberta Jansen e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2018 | 11h03
Atualizado 14 Agosto 2018 | 22h12

RIO - Pelo menos 11 tiroteios ocorreram nesta terça-feira, 14, no Rio de Janeiro, segundo registros das polícias Civil e Militar. Logo às 6h, criminosos atacaram a base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da favela do Vidigal, na zona sul, onde os confrontos se estenderam por todo o dia. No morro da Mineira, na região central, uma mulher de 54 anos morreu atingida por uma bala perdida. Também houve tiroteios nas zonas norte e oeste.

O confronto mais violento aconteceu no início da manhã no Vidigal, comunidade vizinha à Rocinha e normalmente considerada pacífica. Foram horas de intenso tiroteio em que um policial ficou ferido e a avenida Niemeyer ficou fechada por duas horas. Muitos moradores não puderam sair de casa para ir ao trabalho.

A PM informou que a UPP situada na favela foi atacada por traficantes. Vídeos postados por moradores nas redes sociais mostram o desespero das pessoas correndo em meio ao tiroteio, na principal entrada da comunidade.  O cabo Thiago Rodrigues Pereira, de 29 anos, foi baleado no pescoço e levado para o Hospital Miguel Couto, onde foi submetido a  cirurgia.

Segundo a Polícia Militar, o Vidigal sofre efeitos da disputa pelo controle do tráfico na Rocinha, favela muito maior, situada em São Conrado (zona sul), praticamente vizinha do Vidigal. “Há um deslocamento de marginais nessa área de mata que liga a comunidade da Rocinha ao Vidigal. As ações (policiais) são feitas, mas estamos falando de um maciço muito grande e todo e qualquer movimento de tropa nessas comunidades gera uma instabilidade”, afirmou ao site G1 o porta-voz da PM, major Ivan Blaz.

Segundo ele, existem criminosos fortemente armados na região: “A Polícia Militar está no interior daquele terreno (da Rocinha) desde setembro do ano passado e quase 300 armas já foram retiradas, 130 criminosos foram presos, 50 criminosos foram mortos em confrontos com a PM e 30 menores foram apreendidos. Mesmo com todo esse trabalho feito ao longo de quase um ano, ainda há muitos marginais fortemente armados naquela localidade”, afirmou.

No morro da Mineira, no Catumbi (região central), Tânia Maria de Melo, de 54 anos, morreu após ser atingida por uma bala perdida durante um tiroteio, na manhã desta terça-feira. Segundo a PM, ferida no abdômen e na mão, Tânia foi levada ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro, mas não resistiu aos ferimentos.

Susto

A violência no Rio assustou o secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, em visita oficial ao Brasil. O secretário e sua comitiva, hospedados em um hotel de luxo no Leme, na zona sul, foram acordados às 4h da madrugada por intenso tiroteio na comunidade do Chapéu Mangueira, conforme relato do jornal O Globo, confirmado pelo consulado americano.

Após os compromissos oficiais na cidade, já no avião a caminho de Buenos Aires, o secretário falou com jornalistas que o acompanham na viagem sobre o incidente da madrugada.De acordo com a Polícia Militar (PM), o tiroteio no Chapéu Mangueira foi resultado de um enfrentamento entre facções rivais do tráfico que seguem disputando território naquela região. Também foram relatados nas redes sociais e registrados pelas polícias troca de tiros nos morros da Coroa, Fogueteiro, Fallet e Prazeres, entre outros.

Após um fim de semana de intensos tiroteios, as comunidades do Rola e de Antares, em Santa Cruz, na zona oeste, amanheceram cercadas por cerca de 2 mil agentes das forças de segurança que cumpriam mandados judiciais. Eles também desmontaram barricadas e revistaram moradores e veículos.

De acordo com levantamento divulgado na segunda-feira, 13, pelo aplicativo Onde Tem Tiroteio, foram registrados 27 tiroteios na cidade em menos de dois dias. / COM EFE

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