Titular das Cidades deu verba a prefeitura que sua mulher governa

Dados do governo federal comprovam liberação de R$ 1 mi para Glória (BA), cuja prefeita é Ena Wilma, casada com Negromonte

, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Levantamento feito no Sistema de Convênios do governo federal comprova a liberação pelo Ministério das Cidades de R$ 1,035 milhão, nos últimos dois meses, para o município de Glória (BA). A prefeita de Glória é Ena Wilma, mulher do ministro Mário Negromonte. O caso foi revelado na sexta-feira pela revista Época.

Do total, R$ 975 mil foram liberados no dia 5 de agosto e destinados à construção de ciclovia e pista de cooper. Os demais R$ 160 mil saíram no dia 6 de julho, para a elaboração do plano diretor participativo da cidade. Glória tem 15 mil habitantes.

A assessoria de imprensa do Ministério das Cidades informou que os contratos referentes a essas emendas datam de 2009, quando Negromonte exercia o mandato de deputado federal. A assessoria não considerou que o dinheiro só foi liberado depois da posse do ministro. "Para o município de Glória, foram liberados recursos, da mesma forma como os que foram liberados para mais de mil municípios do Brasil, durante a gestão do ministro Mário Negromonte", explicou a assessoria do ministro.

"Assim também, o município de Glória foi atingido com o cancelamento de R$ 3 milhões de reais, cumprindo decreto presidencial, que cancelou os recursos de todos os municípios, com obras não iniciadas, com emendas de 2007 e 2008, o que também ocorreu durante a gestão do ministro Mário Negromonte."

Em nota, Negromonte rebateu também reportagem da revista Veja, que o acusa de ter oferecido propina de R$ 30 mil a deputados do PP para tentar manter o controle do partido. Na nota, ele negou ter usado as dependências do ministério para o pagamento de "mesada" aos parlamentares.

Segundo Veja, o ministro estaria tentando ganhar força dentro do PP com o pagamento de mensalão a deputados da legenda. A disputa interna de Negromonte é com a ala do PP aliada ao ex-ministro Márcio Fortes.

O próprio Negromonte admitiu isso ontem, em entrevista à rádio Rede Tudo FM, de Salvador. "Fica um falando da vida do outro. Isso ainda vai terminar em sangue e é muito ruim", afirmou. Segundo ele, não há provas das acusações de que é alvo, apenas "ilações e brigas entre grupos".

E queixou-se: "Parece que existe uma campanha para a retirada de ministros. É melhor atingir um ministro que um deputado, ainda mais nordestino". Insinuou ainda que está sob ataque por "contrariar muitos interesses". Mas não especificou quais.

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