TJ adia julgamento de PM acusado de massacre no Carandiru

O Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo adiou por decisão unânime para a próxima quarta-feira o julgamento do coronel Ubiratan Guimarães sobre o massacre de 111 presos no Carandiru, em 1992. O TJ atendeu a um pedido da defesa que alegou tempo insuficiente para preparar a sustentação oral. O advogado Vicente Cascione estava no exterior quando a data do julgamento foi marcada e teve apenas dois dias para preparar sua argumentação. A defesa recorre da condenação do coronel a 632 anos de prisão imposta pelo 2º Tribunal do Júri pela morte de 102 dos 111 mortos no massacre, ocorrido em 2 de outubro de 1992. Julgamento O Ministério Público Estadual denunciou, em 1993, 89 policiais militares pelos 111 homicídios e 5 tentativas de homicídio ocorridos no Carandiru. O coronel Ubiratan Guimarães foi o único acusado de todos os crimes. Os demais foram acusados das mortes ocorridas nos andares em que atuaram. Outros 31 policiais foram acusados de espancar presos após a rebelião. Depois de idas e vindas do processo entre as Justiças Militar e comum, o 2.º Tribunal do Júri decidiu mandar a júri os PMs acusados. Como era deputado estadual, o processo contra Ubiratan foi separado da ação contra os demais réus e remetido ao TJ. Em novembro de 2000, a Justiça marcou pela primeira vez o julgamento de Ubiratan, mas ele foi adiado. Em junho de 2001, o coronel foi julgado e condenado por 4 votos a 3 a 632 anos de prisão Ubiratan recorreu da decisão. Dos 89 acusados pelos homicídios, só Ubiratan foi julgado. Outros 84 aguardam julgamento do recurso da sentença de 2000 e 4 morreram no curso do processo. Os 31 PMs acusados de espancamento estão livres. A acusação prescreveu antes que fosse julgada. O Massacre O massacre ocorreu em 02 de outubro de 1992, véspera das eleições municipais, após uma briga entre dois presos no Pavilhão 9 da Casa de Detenção. O que não deveria passar de um simples tumulto, resultou em uma intervenção policial, terminando com 111 mortes. Na época, a chacina teve grande repercussão internacional devido à quantidade de mortos, à violência e à forma como a polícia atuou para conter os presos. Agentes penitenciários levaram os feridos para a enfermaria no pavilhão 4 e trancaram a grade de acesso ao segundo andar. Pouco depois o cadeado foi rompido pelos detentos e o tumulto se generalizou. Em uma tentativa de conter a rebelião, a Polícia Militar, armada e com cães, sob o comando do coronel Ubiratan Guimarães, invadiu a penitenciária. A Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), sem preparação adequada para lidar com esse tipo de ação, ocupou os dois primeiros andares do pavilhão. Todos os detentos que estavam no primeiro andar e 60% dos que estavam no segundo andar foram mortos.

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