Prefeitura de João Pessoa
Prefeitura de João Pessoa

TJ forma maioria para condenar por pedofilia Arquidiocese da Paraíba

Dois desembargadores votaram favoráveis ao pagamento da indenização por crimes supostamente cometidos por padre acusado de aliciar adolescentes

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2019 | 01h08

SOROCABA – A Primeira Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça da Paraíba formou maioria para condenar a Arquidiocese, órgão máximo da Igreja Católica no Estado, a pagar indenização por crimes de pedofilia que teriam sido cometidos por um padre. Na sessão desta terça-feira, 22, dois desembargadores votaram favoráveis à condenação, faltando apenas o voto do terceiro integrante da Câmara. Em outra ação, a Justiça do Trabalho condenou a Arquidiocese a pagar R$ 12 milhões de indenização por supostos crimes sexuais praticados por outros membros do clero no Estado. Nesse caso, a Arquidiocese entrou com recurso.

O julgamento no TJ refere-se às acusações de pedofilia contra o padre Adriano José da Silva, de Jacaraú, no litoral norte do Estado, que faleceu em 2015, dois anos após as primeiras denúncias. Ele foi acusado de aliciar menores entre 12 e 17 anos, com os quais teria mantido relações sexuais. O Ministério Público Federal (MPF) propôs a ação por danos morais coletivos. O valor da indenização foi estipulado em R$ 300 mil. No processo, o padre negou as acusações. O desembargador José Ricardo Porto votou pela condenação e foi acompanhado pelo colega Leandro dos Santos.

A sessão foi suspensa após o desembargador Aluízio Bezerra pedir vista ao processo. Conforme a assessoria do TJ-PB, ele deve proferir seu voto quando o julgamento for retomado, na próxima terça-feira, 29. Apesar do placar favorável à condenação, os dois desembargadores ainda podem mudar seu voto, caso queiram. O procurador do MPF, Herbert Targino, assinalou que as ações denunciadas são “reprováveis e atentatórias à dignidade humana”, estando em afronta às orientações do principal líder espiritual da Igreja Católica, o Papa Francisco. Segundo ele, mesmo com o falecimento do padre, a ação por danos morais coletivos prosseguiu contra a Arquidiocese.

Procurada pela reportagem, a Arquidiocese informou que só caberá manifestação depois que o julgamento for concluído, o que ainda não aconteceu. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.