TJ manda a júri médicos acusados de queimar colega

O Tribunal de Justiça de São Paulo, por maioria de votos, decidiu submeter ao júri popular os médicos Leandro Oliveira Pinho, Marcelo Tiezzi e Rodrigo Bornstein Martinelli, acusados de jogar álcool e atear fogo no então estudante Rodrigo Favoretto Cañas Peccini, durante uma festa de alunos de medicina, em Sorocaba, a 92 km de São Paulo, em agosto de 1998.Eles vão responder pelo crime de tentativa de homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, emprego de fogo e meio que dificultou a defesa da vítima. O crime aconteceu nas proximidades da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC), onde eles concluíam o curso. Rodrigo participou da "Mara-Toma", uma prova de resistência alcoólica, em que os estudantes, em dupla e amarrados um no outro, eram obrigados a dar a volta no quarteirão e tomar as bebidas oferecidas.Naquela área havia pelo menos quatro repúblicas de estudantes. O vencedor seria aquele que caísse por último. Após a prova, Rodrigo caiu desacordado, em um dos quartos da república "Máfia". Os acusados Tiezzi e Martinelli molharam o corpo do rapaz com álcool e Pinho acendeu o isqueiro.Na ocasião, Pinho alegou ter pensado que Rodrigo tivesse sido molhado com água. A vítima ficou 24 dias internada com queimaduras de segundo e terceiro graus que atingiram um quarto do corpo, principalmente tórax, abdômen, costas, braços e pescoço. O estudante foi submetido a três cirurgias corretivas.JulgamentoO juiz José Eduardo Marcondes Machado decidiu que os réus deveriam ser julgados pelo Tribunal do Júri de Sorocaba, mas seus advogados recorreram ao TJ. No julgamento ocorrido na última terça-feira, 3, a 4ª Câmara Criminal indeferiu o recurso por dois votos a um. Como a decisão não foi unânime, ainda cabe um novo recurso ao próprio TJ.O advogado Adriano Vanni, que defende Pinho, disse que vai tentar a desclassificação do crime de tentativa de homicídio para lesão corporal culposa. Segundo ele, seu cliente agiu apenas com imprudência, não com a intenção de causar a morte da vítima. Os outros médicos não foram localizados.

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