TJ manda arquivar ação penal contra Paulo Preto

Em junho, ex-diretor da Dersa ficou preso por três dias sob acusação de receptar joia roubada

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2010 | 00h00

A 7.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou ontem o trancamento da ação penal contra o engenheiro Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. Em junho, ele foi preso em flagrante no Shopping Iguatemi sob a acusação de receptar um bracelete de ouro branco com brilhantes.

O número de série da joia constava de um inventário de objetos furtados de um depósito da marca Gucci, em maio. Souza permaneceu preso por 72 horas até ser solto por ordem da Justiça.

Em votação unânime, os desembargadores entenderam que não há fato criminoso a ser imputado a ele. O próprio Ministério Público Estadual, em seu parecer, se manifestou pelo trancamento do processo que tramitava na 26.ª Vara Criminal de São Paulo.

O criminalista José Luís Oliveira Lima, que defende Souza, anunciou que vai ingressar com ação por danos morais contra o Estado e contra a delegada titular do 15.º Distrito Policial (Itaim Bibi), Nilze Scapulatiello. O advogado também vai requerer à Corregedoria da Polícia Civil instauração de inquérito para apurar abuso de autoridade contra seu cliente. "Essa decisão do TJ restabelece a verdade, demonstrando a campanha difamatória da qual o dr. Paulo foi vítima nos últimos meses", anotou o criminalista.

Souza sempre afirmou que ele e o joalheiro Musab Asmi Fatayer haviam ido à loja para avaliar a joia - pretendiam negociá-la entre si por R$ 20 mil.

Ex-diretor de Engenharia da Dersa, Souza esteve à frente de algumas das maiores obras viárias do Estado, como a construção do Trecho Sul do Rodoanel. Em 2009, recebeu o título de iminente engenheiro pelo Instituto de Engenharia (IE).

Em 10 de abril deste ano, o engenheiro foi exonerado da Dersa. Durante a campanha presidencial, o nome dele voltou ao noticiário. Em debate, a então candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) citou reportagem da revista IstoÉ que apontava que Souza havia arrecadado R$ 4 milhões para a campanha de José Serra (PSDB), mas não teria repassado ao partido - o que ele nega.

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