Tom político marca a 16ª edição da Parada Gay em SP

Tema da edição deste ano é 'Homofobia tem Cura: Educação e Criminalização'; presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT diz que discussão deve ser levada a escolas

Estadão.com.br,

10 Junho 2012 | 16h47

A 16ª edição da Parada do Orgulho LGBT tomou a Avenida Paulista neste domingo, 10. Com a previsão de um público de 4 milhões de pessoas, o mesmo do ano passado, a Prefeitura armou um esquema de segurança com 1.500 agentes à paisana. A organização adotou um tom mais político na escolha do tema deste ano, "Homofobia tem Cura: Educação e Criminalização", bandeira defendida durante o desfile de 14 carros alegóricos.

O presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT (APOGLBT) de São Paulo, Fernando Quaresma, disse que a homofobia tem cura, não por ser uma doença, mas porque pode ser melhor abordada. "Ela deveria ser discutida nas escolas, por exemplo", comentou.

Madrinha da causa LGBT, especialmente quando esteve na Prefeitura, em 2004, a senadora Marta Suplicy (PT) marcou presença na Parada, criticando o atual prefeito Gilberto Kassab (PSD). Segundo a ex-prefeita, São Paulo não avançou em políticas públicas de combate à homofobia. "Eu fui a coordenadora do projeto (de orientação sexual) na gestão da Luiza Erundina. E na minha (gestão) fizemos a mesma coisa. Eu comentava com o prefeito Kassab que hoje não existe mais isso. Todo esse trabalho de educação sexual faz parte dos ensinamentos e tem de estar na escola", cobrou.

A organização e a militância LGBT protestam pela aplicação do projeto Escola Sem Homofobia, voltado a professores da rede pública. O grupo também pede a aprovação do projeto de lei 122/06, que há seis anos tramita no Senado e pede a criminalização da homofobia.

O tema é delicado para o PT, que tentou promover o chamado kit gay na gestão do pré-candidato do partido nas eleições municipais, Fernando Haddad, no Ministério da Educação. Depois de protestos de setores religiosos, Haddad abandonou o projeto.

Em resposta à senadora, o prefeito Gilberto Kassab afirmou que Marta não fez uma crítica aguda, mas pediu apenas que haja abordagem ao tema da homofobia em diversas frentes na Prefeitura. O prefeito exaltou o evento, segundo ele o segundo mais importante da cidade depois da F-1 do ponto de vista turístico.

Dos candidatos a prefeito, Celso Russomanno (PRB), Carlos Giannazi (PSOL)e Soninha Francine (PPS) foram acompanhar a Parada na Avenida Paulista. José Serra (PSDB) desmarcou em cima da hora. Haddad havia viajado com a família. Gabriel Chalita (PMDB) marcou evento de pré-campanha no mesmo horário na zona leste.

Preliminares

No sábado, 9, a Avenida Paulista recebeu a 10ª Caminhada de Lésbicas e Bissexuais. Espécie de "esquenta da festa", a passeata interditou uma faixa da via no sentido Consolação até por volta das 18h. Com faixas e cartazes nas mãos, as mulheres protestaram contra o preconceito e pelo direito do aborto.

A Prefeitura recomenda que o público dê preferência hoje ao transporte público para acessar a região. Para evitar transtornos, o Metrô promete realizar 260 viagens a mais durante o evento do que em um domingo normal. Serão 68 viagens extras na Linha 1- Azul, 108 a mais na Linha 2 - Verde e 84 na Linha 3 - Vermelha.

Os bloqueios no tráfego tiveram início às 10 horas. No sentido Consolação, o primeiro trecho a ser fechado fica entre as Ruas Teixeira da Silva e Augusta. Na direção do Paraíso, a interdição será feita entre a Rua Padre João Manuel e a Avenida Brigadeiro Luís Antônio. A partir do meio-dia, o bloqueio se estenderá a vias do centro, como as Avenidas Ipiranga e São João.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.