Tom Zé encerra o carnaval do Recife

Enquanto no Marco Zero, o principal palco da folia de Recife, milhares de foliões se despediam do carnaval que marcou os 100 Anos do Frevo ao som de Alceu Valença e companhia, a poucos quarteirões dali, Tom Zé comandava a platéia do Recbeat ao som de sua mais nova composição: um frevo em homenagem ao ritmo mais carnavalesco dos ritmos. Afinal, ao contrário do samba, que pode ser dançado ao longo do ano nos redutos espalhados pelas cidades, o frevo é quase que exclusivamente um ritmo que só se ouve, e só se dança, no carnaval. E como se ouve! E como se dança! A platéia do alternativo Recbeat, festival de rock que revela novas, e talentosas, bandas de todo o Brasil, aprovou. O Pólo Mangue, no Cais da Alfândega, ficou pequeno para receber o animado público que lotou o espaço para ver o baiano mais paulista que já houve entoar clássicos de seu repertório mais que selecionado. E quem pensa que o carnaval de Tom Zé, e do Recbeat, não tem frevo e muita folia, não poderia estar mais enganado. Tom Zé, por exemplo, não deixou de tocar XiqueXique, Tu e Augusta, Angélica e Consolação. Houve espaço até para o samba paulista de Adoniran Barbosa com Trem das Onze. Não faltaram canções do novíssimo, e ótimo, álbum Danç-Êh-Sá - Dança dos Herdeiros do Sacrifício, como a mais que criativa Atchim. Neste último trabalho, Tom Zé diz que "corre para a juventude". E nesta madrugada, a juventude correu para ele. O músico, cujo som mais que autêntico não é para ouvidos desavisados, provou por que é ainda um dos artistas mais amados deste público sempre atento a opções inteligentes. Tom Zé subiu ao palco já na madrugada desta quarta-feira de cinzas, e foi, aos poucos, revelando os belos versos de seu frevo-canção. ?Esse Galo-regalo tem plano. Pra amarelo, mulato e Ariano?, ensaiou o cantor diante da platéia, que se esmerava para decorar as novas estrofes. Uma crítica ao imperialismo americano aqui em Companheiro Bush. Outra contra a indústria da prostituição, praga que vem assolando as belas praias do nordeste brasileiro, ali. Só para despertar a platéia. E, em seguida, um frevo para distrair. ?Eta globarbarização?, entoava o messiânico Tom Zé ao fim da nova canção Prostitui. Mas a alegria do carnaval não se deixava vencer e voltava com tudo nas estrofes seguintes do frevo. ?Eu mereço diploma de pernambucano?, dizia ele, totalmente apoiado pela platéia. E os versos vinham : ?Meu diploma de pernambucano. Vou tirar no Recife este ano.? E para coroar o histórico carnaval, que começou, e terminou, em muito frevo: ?Re re Recife. Re re recebe. Minha rendição.? E foi de braços abertos que Recife, Olinda e todo Pernambuco receberam Tom Zé e tantos outros novos, e nem tão novos, talentos, que se renderam ao original, autêntico e, o mais importante, popular e democrático, carnaval do País. Bora lá já começar a pensar nos 101 anos do frevo, minha gente!

Agencia Estado,

21 Fevereiro 2007 | 09h36

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