Pablo Valadares/AE
Pablo Valadares/AE

Tombini no BC e Miriam Belchior no Planejamento fecham equipe econômica

Transição. A presidente eleita, Dilma Rousseff, vai anunciar oficialmente hoje os primeiros nomes de seu ministério; convites para a área econômica foram deflagrados a partir da permanência do petista Guido Mantega no Ministério da Fazenda

Vera Rosa, Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2010 | 00h00

Sem ter falado com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, Dilma Rousseff escolheu ontem para o comando da instituição o economista Alexandre Tombini, hoje diretor de Normas e Sistema Financeiro. Além disso, a presidente eleita decidiu nomear Miriam Belchior, coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como ministra do Planejamento.

Dilma anunciará hoje os três primeiros nomes da equipe econômica: além de Tombini e Miriam, que substituirá Paulo Bernardo, ela confirmará oficialmente a permanência de Guido Mantega na Fazenda. A presidente eleita decidiu fazer o anúncio agora porque vai viajar e não quer criar incertezas no mercado financeiro. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma participará amanhã, em Georgetown (Guiana), da cúpula da Unasul (União de Nações Sul-Americanas).

Subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Miriam irá para o Planejamento levando na bagagem os principais projetos da área de infraestrutura, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida. Na prática, ela assumirá uma pasta turbinada, que cuidará de programas antes abrigados sob o guarda-chuva da Casa Civil.

Por achar que a Casa Civil estava "inchada", Dilma resolveu transferir a gerência dos programas sociais para o Planejamento, na tentativa de dar mais eficiência à gestão.

Na dança das cadeiras, Bernardo deverá ocupar a Casa Civil, com um formato mais enxuto, e o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, a Secretaria-Geral da Presidência, que terá novo desenho e cuidará da relação com Estados e municípios.

Histórico. O futuro presidente do Banco Central também já passou pela Casa Civil. Antes de se tornar funcionário de carreira do BC, Tombini foi coordenador de análise internacional da Fazenda e assessor especial da Casa Civil no governo Fernando Henrique (1995-2002).

A saída de Henrique Meirelles foi antecipada pelo Estado em sua edição de 6 de novembro. Dilma queria um comandante do BC com um perfil mais "desenvolvimentista", já que sua intenção é fazer com que os juros reais cheguem a 2% ao ano até 2014. No dia 12, Mantega também foi apresentado como o novo ministro da Fazenda pelo jornal.

A escolha de Tombini foi dada como certa no início da tarde de ontem, após longa reunião de Dilma com Mantega na Granja do Torto. Em conversas reservadas, Meirelles já havia dito que não aceitaria permanecer no cargo se o Banco Central perdesse a autonomia que teve ao longo dos dois mandatos de Lula.

Dilma ficou muito irritada com a avaliação de Meirelles e disse a interlocutores que jamais daria um "cavalo de pau" na economia. Lula também não escondeu a contrariedade porque, ao fazer pressões nos bastidores, Meirelles tentou jogar no colo de Dilma a responsabilidade pela eventual mudança na política monetária. Mesmo assim, Lula é grato a ele pelos serviços prestados ao governo. Se dependesse de Lula, Meirelles seria o vice de Dilma, e não Michel Temer (SP).

Embora amigos do presidente do BC dissessem à tarde que ele poderia ir para um ministério ligado à infraestrutura, no fim do dia essa hipótese parecia menos provável. Ontem à noite, a equipe de transição montou uma operação panos quentes, com Palocci à frente, para contornar qualquer mal-estar com Meirelles.

Apesar da convicção de que Meirelles não é do feitio de sair atirando, auxiliares de Lula pediram a ele que não se alongasse em comentários sobre a troca de comando no BC na entrevista coletiva prevista para hoje em que falará do Banco Panamericano. Em conversa com assessores, Meirelles disse que sai do governo gratificado, como "jogador que deixa o campo em forma".

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