Tomou só para ir à balada. Hoje, sente vergonha

O medo do HIV sempre rondou mas, sozinho, nunca foi suficiente para fazer da camisinha uma regra. Quando a noite ainda prometia bebedeira, aí mesmo que o juízo ia embora. Quando um amigo falou que o outro tinha escutado que tomar um medicamento antiaids poderia tirar a preocupação da balada e só deixar o prazer imperar, ficou difícil não cair na tentação. Professor de educação física, Leandro tomou mais uma vez a pílula do antirretroviral como se fosse uma preparação para a balada. Hoje, mesmo envergonhado, tenta convencer os amigos a não repetir o mesmo erro. O uso da pré-profilaxia ainda não é reconhecido por todos os especialistas. Os médicos têm dificuldade de definir se é boato ou prática corriqueira. A única pesquisa feita sobre o assunto, no ano passado, mostrou que é uma prática rara. Ainda que o receio de alarmismo impere, Artur Timerman, infectologista do Hospital Albert Einstein, avalia que é preciso alertar sobre os riscos. Os casos hoje isolados, restritos a um público, podem se espalhar. "Já foram descritos casos de convulsão resultantes da mistura de antirretrovirais e outras drogas. E o comportamento de descaso com a aids é assustador."

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