Top causa tumulto e faz o desfile da tietagem

Gisele responde a gritos de ?gostosa? com gesto de paz e amor; outro destaque foi o desfile de Glória Coelho, que trouxe a ?poesia do leite?

O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2008 | 00h00

Após três anos fora da São Paulo Fashion Week, Gisele Bündchen transformou o desfile da carioca Colcci em grande evento. Houve tumulto na porta, discussão e muitos ficaram de fora. Modelos de outros desfiles tentavam entrar, e muitos convidados trouxeram parentes. Até o prefeito Gilberto Kassab (DEM) apareceu. E quando Gisele surgiu na passarela, a platéia ficou de pé, assobiou e gritou "gostosa". A top retribuiu com um leve sorriso e levantou a mão num gesto de paz e amor. Veja a cobertura online do SPFW no blog Acompanhe na TV Estadão imagens dos desfiles Veja galeria de fotos dos desfiles e estilistasEla entrou com calça jeans de cintura alta, quase branco, e top de tie dye curto. O look se repetiu em outras peças da coleção, com influência dos anos 70. Colcci não surpreendeu nas roupas básicas, mas apresentou bons vestidos manchados, com rendas, bordados e babados. Acertou na camisaria feminina. Conhecida por uma modelagem comercial e jovem, a Colcci evolui ao deixar os looks menos poluídos. Outra estrela festejada - bem menos que Gisele -, Rodrigo Hilbert, pai dos filhos de Fernanda Lima, desfilou de calça jeans clara e camiseta vermelha manchada. De manhã, o povo da moda viu as coleções de Glória Coelho e seu filho, Pedro Lourenço (filho do também estilista Reinaldo Lourenço), no Shopping Iguatemi. A apresentação de Pedro foi bem curta. Livre do compromisso comercial, apresentou coleção em que exercita a construção das roupas. Partiu da imagem de asas para produzir estampas e aplicações. "Ele está fazendo a lição de casa, realizando um trabalho de expressão. Quero contribuir para que ele aprenda cada vez mais", reforçou a mãe.Se depender do DNA, o talento dele está garantido. Glória fez o desfile mais consistente do dia, apesar de ela declarar que sempre fica dividida entre agradar a clientela e fazer o que quer. A estilista diz que se inspirou na "poesia do leite" e investe em uma silhueta de cintura mais larga, em vestidos bufantes. "O leite vira queijo, manteiga, sempre muda", filosofa.A coleção evolui para brancos com plissados elaborados, de ombros marcados com volumes e shorts com cavalos mais baixos. Ela surpreende ao recriar o smoking, colocando a proporção saruel na calça de alfaiataria, usando a pala do traje de gala como camisa e deixando as mangas curtas no blazer. Na Bienal, a tarde começou com a estréia de Maria Garcia - segunda marca da Huis Clos. A coleção, inspirada na música Coney Island Baby, de Lou Reed, foi dividida em três partes. A primeira é o paraíso, com tons pastel e estamparia de escama-de-sereia e xadrez pintado à mão. A segunda representava a praia, com cores vivas, como o laranja, amarelo e vermelho e estampas de barcos. Nos pés, decksides da Samello. A última parte significava o declínio, com cores melancólicas e tecidos tecnológicos.Mario Queiroz usou a obra do artista venezuelano Jesus Rafael Soto, craque da arte cinética, como mote. A ilusão de ótica aparece nas jaquetas, camisetas e na camisaria, com destaque para as transparentes. A Paola Robba para Poko Pano apresentou biquínis para quem quer desfilar nas areias e não para as que gostam de tomar sol. Partes de cima e de baixo grandes, com alças e laterais largas marcaram a coleção, inspirada nos 50 anos da bossa nova. As músicas de Tom Jobim e João Gilberto foram cantadas em inglês, num desfile que contou com a empresária Luiza Brunet. Bem românticas, muitas peças apresentavam amarrações e laços. A maioria dos biquínis e maiôs tinha busto tomara-que-caia ou meia taça, com frente única. As partes de baixo dos biquínis eram retas e baixas.Simone Nunes também buscou inspiração na praia. Com estampas de elementos da natureza (ela buscou referência no trabalho da botânica Anna Maria Sibylla Merian, que estudava e ilustrava plantas e insetos no século 17), o vestido funcional foi a peça-chave. Além dos vestidos, a calça de cintura alta e bem marcada fez par com o cinto de nó naval. O maiô, o biquíni flúor por baixo das roupas e o tomara-que-caia reforçaram a coleção.Samuel Cirnansck apresentou coleção inspirada numa época imperial, que remetia a jardins franceses do século 19. Fez todo o desfile em tom creme, inclusive as roupas. De cabelos presos esbranquiçados, as modelos, que mais pareciam bonecas saídas da Belle Époque, mostraram vestidos armados, com golas drapeadas. O resultado foi uma coleção romântica e nostálgica.EDUARDO DIÓRIO, FLÁVIA GUERRA, RENATA CAFARDO, VALÉRIA FRANÇA e DEBORAH BRESSER

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.