Tornado de baixa intensidade é registrado na Baixada Fluminense

Vento forte não deixou feridos mas destelhou casas, arrancou janelas e árvores pela raiz, postes e até o muro de uma casa

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

20 de janeiro de 2011 | 17h38

RIO - Para espanto da população - e também de meteorologistas -, um tornado de baixa intensidade foi registrado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no início da noite de quarta-feira, 19. Visível a quilômetros dali, na zona oeste do Rio, o vento forte destelhou casas, arrancou janelas e árvores pela raiz, derrubou portões e postes e até o muro de uma casa. Mas não provocou ferimentos graves nos moradores, que, atônitos, fotografaram e filmaram o fenômeno raro.

Sete bairros sentiram, durante cerca de vinte minutos, os efeitos do "tornado fraquinho" que passou pela cidade por volta das 18h30. A classificação é do meteorologista Lucio de Souza, do Instituto Nacional de Meteorologia. Como outros colegas, ele desconfiou de exagero quando soube da notícia. Mas não teve dúvidas ao ver as nuvens em formato de cone nos vídeos colocados no Youtube.

 

"Eu não estava acreditando, mas a nuvem em forma de funil não deixa dúvida. Como ocorreu num lugar apenas, não foi sentido em nenhuma estação meteorológica. Não foi registrado qualquer vento nem chuva que pudesse se associar a este tornado", explicou Souza, cujo palpite é de que a velocidade tenha ficado entre 80 e 90 km/h. "Mas a gente não mediu nada."

 

Os moradores olhavam para o céu e, traumatizados com as imagens da destruição causada pelas chuvas, temeram pelo pior. Algumas correram, assustadas. Outras se trancaram em casa. Crianças saíram arranhadas. Ruas ficaram sem energia elétrica. Na casa de uma moradora, todas as telhas foram arrancadas pela ventania, e os eletrodomésticos foram arrastados para fora.

 

Aparentemente, o tornado não tocou o solo, o que resultaria no efeito devastador que se vê nos casos norte-americanos.

 

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais confirmou, pelas imagens feitas pelos moradores, que se tratou de um tornado - da categoria F1, a mais fraca, com ventos entre 115 km/h e 180 km/h, capazes de fazer desmoronar construções mais frágeis. "A atmosfera está tecnicamente instável, quente e úmida, o que é bem característico do verão", disse a meteorologista Naiane Araújo.

 

Imprevisível, o fenômeno atmosférico é formado pelo choque de massas de ar quente, ascendente, e fria, descendente. Segundo Lucio de Souza, como quarta-feira foi o dia mais quente do ano - com 38,9 graus no centro da capital, e 38,2 graus na zona oeste -, as nuvens devem ter ganhado muita energia, o que, aliado à umidade do ar, teria provocado o tornado. "É a única coisa que é possível inferir das imagens. Mas o que se esperaria era uma tempestade de verão, não um tornado."

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