Torpedos para as campanhas

Em e-mails, parlamentares recebem informações para esquentar os embates no Congresso

Denise Madueño e Ana Paula Scinocca, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2010 | 00h00

Os comandos das campanhas dos dois principais candidatos à presidência, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), montaram centrais de produção de informações para abastecer os parlamentares e lideranças envolvidas no debate da sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A munição para o embate é reforçada pelas assessorias dos partidos que sustentam as duas candidaturas.

Os governistas recebem, diariamente, mensagens em suas caixas de correio eletrônico, com a reprodução de artigos e análises publicados pela mídia em defesa da candidata petista e do PT e de ataques ao adversário. Nos e-mails dos deputados da base aliada, é comum o recebimento de matérias criticando a cobertura da imprensa, considerada sem equilíbrio.

Na oposição, uma linha da estratégia é orientar os parlamentares para apresentação de discurso afinado de temas relevantes da semana. Via e-mail, integrantes do PSDB, DEM e PPS têm recebido papers feitos pela campanha de Serra, em São Paulo, com sugestões de argumentos a serem explorados em entrevistas. A iniciativa já havia sido iniciada pelo partido, mas passou a ser reforçada após reunião dos líderes tucanos e de partidos aliados com o marqueteiro Luiz Gonzalez.

Nesta semana, uma das mensagens distribuídas à bancada petista na Câmara reproduzia artigo do site do jornal Hoje e Dia, ressaltando a crítica a reportagens dos grandes jornais. "Há alguma coisa estranha nesta fase da pré-campanha eleitoral. A candidata do PT, Dilma Rousseff, fala uma coisa, e o que vai ao ar é outra. E o que ela não falou vira verdade. Já com o candidato José Serra, do PSDB, acontece o contrário. Ele comete uma gafe, e o que prevalece é a versão maquiada dessa gafe, quando todos correm a acudi-lo."

A mensagem é uma das enviadas diariamente pela liderança do PT na Câmara. Usualmente, os textos têm como base análises divulgadas pelas publicações digitais Tijolaço, de responsabilidade do deputado Brizola Neto (PDT-RJ), e Brasília Confidencial. Este último site mencionava aspectos negativos da gestão de Serra no governo de São Paulo: "Mais assassinatos, mais sequestros, mais roubos a bancos - número de homicídios no primeiro trimestre aumentou 23% na capital e 7% no Estado de São Paulo."

Brizola Neto atacou um dos homens de confiança de Serra na campanha. "Graeff não só comanda os brucutus. É o brucutu". Foi uma referência a Eduardo Graeff, ex-chefe da Casa Civil no governo de Fernando Henrique Cardoso e um dos pensadores da campanha tucana.

Na campanha de Serra, tem sido adotado envio de papers, via internet, com briefings analíticos. Os textos não têm frequência definida. "Depende de semana. Não tem periodicidade", confirmou o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC). O líder protagonizou uma gafe ao enviar, por engano, um dos papers para o deputado do PT Luiz Sérgio (RJ). "Alguém cometeu essa falha", afirmou. Ontem, ele avisou que vai ressarcir os cofres da Casa em R$ 270 por conta do erro, por conta de gastos com papel e impressão.

"Fizemos um cálculo de quanto pode ter sido gasto e tudo já foi reembolsado à Casa para não ter nenhum problema", disse Bornhausen.

Além dos papers de São Paulo, o PSDB, o Instituto Teotônio Vilela e o DEM têm procurado brifar parlamentares. "Assim todo mundo fala na mesma direção", anotou o líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA).

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