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Torre Eiffel ganha piso e paredes transparentes

6,7 milhões visitam local por ano; objetivo da mudança é redinamizar visitação, rejuvenescer a construção e ampliar a atratividade

Andrei Netto, CORRESPONDENTE

07 Outubro 2014 | 20h17

PARIS - Símbolo máximo de Paris, a Torre Eiffel tem novidades. Visitantes do 1.º andar do monumento construído pelo engenheiro Gustave Eiffel entre 1887 e 1889 terão um choque de contemporaneidade: um piso e paredes transparentes a 57 metros de altura, desenhados para aumentar a visibilidade e despertar a vertigem em parte dos 6,7 milhões de turistas que passam pelo local por ano.

A obra, avaliada em € 30 milhões, foi projetada pelos arquitetos Moatti e Rivière e executada ao longo de dois anos. O objetivo é redinamizar a visitação a esse andar da torre, rejuvenescer a construção e ampliar sua atratividade - embora trate-se do monumento pago mais visitado do mundo. 

O piso envidraçado foi instalado em uma área equivalente a meio hectare. O material convencional foi retirado e substituído por placas de vidro de alta resistência, com largura máxima de 1,85 metro. Os parapeitos também foram substituídos. No lugar de grades metálicas, agora erguem-se vidros inclinados para fora, facilitando a vista e estimulando sensações fortes em quem tem medo de altura.

É o caso da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que na inauguração foi obrigada a confessar seu desconforto. “É muito bonito. Olho de tempos em tempos, mas tenho um pouco de vertigem”, admitiu.

O sentimento da prefeita foi compartilhado por alguns dos primeiros visitantes, que nesta terça-feira se perguntavam se o vidro era sólido o suficiente. Outros se sentiram à vontade até para sentar no chão e fazer selfies.

Além do piso, dois pavilhões - a Sala Gustave Eiffel e o Pavilhão Ferrié -, que haviam sido construídos em 1981 com paredes sólidas, e que prejudicavam a visibilidade de Paris a partir da torre, foram demolidos e reconstruídos com paredes envidraçadas.

Neles foram instalados uma sala de recepção para eventos, uma loja, um restaurante rápido e uma sala de projeções para filmes sobre a história da construção. Essa sala se completa com o novo percurso museográfico da torre, que foi atualizado em uma exposição mais digital e interativa. No mesmo andar, o restaurante 58 Tour Eiffel, um dos mais célebres do mundo por sua localização privilegiada, teve a fachada renovada.

As instalações receberam ainda equipamentos de energia de última geração, destinados a reduzir a “pegada de carbono” da torre. Painéis solares e duas pequenas turbinas eólicas garantirão a produção de parte da eletricidade e do aquecimento do andar, e um reservatório de água da chuva vai alimentar os banheiros. Completam as obras rampas de acesso para portadores de deficiência.

Sempre atrativa. Ao contrário do que ocorre com frequência na Europa, o objetivo não é enfrentar nenhuma crise. Em 2013, a Torre Eiffel somou 6,7 milhões de visitantes - 85% de estrangeiros - e receita de  73 milhões, crescimento de 7% em relação ao ano anterior.

O problema é que, com a maior visitação, era necessário estimular a redistribuição do público - o 1.º andar é ignorado por 50% dos turistas, que preferem partir direto para o topo. “Temos cada vez mais visitantes da Ásia, da América do Sul, do Oriente Médio, que eram pouco numerosos há 30 anos”, diz Nicolas Lefebvre, diretor-geral da Sociedade de Exploração da Torre Eiffel. “Por isso, temos de inovar e garantir que a torre continue a ser atraente.”

Para Anne Hidalgo, a iniciativa também tem um simbolismo: ressaltar o dinamismo da capital francesa, que briga com Londres, Berlim ou Madri pela atração de investimentos e de novas tecnologias.

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