Torres teve 400 casas destelhadas e 150 desabrigados

A cidade de Torres, 40 mil habitantes, foi o único município gaúcho atingido pelo fenômeno climático que provocou estragos em 39 municípios catarinenses numa extensão de 200 quilômetros do litoral sul do País. No local, o fenômeno não causou vítimas fatais mas desabrigou 150 pessoas, deixou centenas feridas levemente, 400 casas destelhadas e muitas árvores arrancadas do solo. Na Escola Municipal "Alcino Pedro Rodrigues", a Defesa Civil, comandada pelo capitão Luiz Fernando Santos, acomodou e atendia, até o final da manhã deste domingo, as pessoas que ficaram sem ter onde morar. "Acreditamos que não deva chegar muito mais gente. Porém, o mais grave, até agora, é o fato de estarmos sem energia elétrica desde 1h10 da manhã e não haver previsão para a volta", comentou o capitão, ao meio-dia. O capitão, que no ano passado esteve no município gaúcho de São Francisco de Paula e também na cidade de Antônio Prado, onde ocorreram ciclones extratropicais, garantiu que as dimensões desses fenômenos e o de ontem são completamente diferentes. "O que passou por aqui está classificado corretamente como furacão. É pior e fez muitos estragos. Não houve tempo para uma ação preventiva, mas o tempo que tivemos nos preparamos para responder rápido às situações que surgiram", explicou. Na Defesa Civil, o capitão estava coordenando o trabalho de mais 100 homens, entre bombeiros, servidores públicos e policiais da cidade. Além da assistência a desabrigados, trabalhava na desobstrução de ruas e estradas vicinais e cortes de troncos de árvores.No hospital municipal Nossa Senhora dos Navegantes, a atendente de enfermagem, Jaqueline Sebastião Mendes da Silva não conseguia fazer uma estimativa de quantas pessoas já haviam passado pelo Pronto-Socorro e ambulatório para atendimentos de emergência. "Tem muita gente ferida, mas nada grave. Uma loucura", disse. "Muitas delas se machucaram por tentar segurar coisas que foram arrancadas de suas casas pelos ventos muito fortes. Teve até gente que subiu no telhado e acabou caindo." Aos 25 anos, casada, dois filhos, Jaqueline estava entre os desabrigados. Sua casa ficou totalmente sem telhas quando passaram por Torres os ventos com de mais de 150 km horários. "Foi terrível", avalia. Mas mesmo assustada, entrou para o seu turno às 8 horas da manhã e não sossegou enquanto não obteve informação sobre a situação em Criciúma, a maior cidade atingida pelo fenômeno, em Santa Catarina, onde o estrago também foi grande.Leia maisCiclone mata 1 e deixa mais de 100 desabrigados no SulFenômeno ainda gera dúvidasFenômeno climático teve dois picos, diz Climer/Epagre

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