Tota, o vaidoso chefe do tráfico no Complexo do Alemão

Traficante arrecadaria mensalmente R$ 150 mil com drogas, armas e extorsão

Agencia Estado

03 Julho 2007 | 15h28

Informações sobre o paradeiro dele valem R$ 10 mil. De acordo com a polícia, o homem, vaidoso e namorador, se submeteu no final do ano passado à uma cirurgia para a redução de estômago. Este é Antônio José Ferreira de Souza, o Tota, de 35 anos, chefe do tráfico do Complexo do Alemão (zona norte). Ele é o traficante mais procurado do Rio, como foi em 2005 seu maior desafeto: Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi, traficante da Rocinha (zona sul) morto pela polícia. Além de bocas-de-fumo, os dois disputaram Evelyn Lindolfo do Rêgo Rizzo, de 20 anos, que trocou o chefe do Comando Vermelho (CV), na zona norte, pelo então líder do tráfico da favela da zona sul que mais fatura com a venda de entorpecentes, dominada pela facção rival, a Amigo dos Amigos (ADA). Nascido e criado na Favela da Fazendinha, uma das 17 comunidades do Complexo do Alemão, Tota começou a atuar no tráfico local. No entanto, ficou conhecido da polícia quando assumiu, por sugestão dos chefes do CV, o comando da venda de drogas no Conjunto do Caramujo, um aglomerado de 12 favelas em Niterói (Região Metropolitana). Ao ser preso, Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho VP, fez Tota seu sucessor no comando do tráfico do Alemão. "Botar este sujeito atrás das grades é uma questão de honra", brada o comandante do 16º Batalhão de Polícia Militar (BPM), Marcus Jardim, antigo conhecido de Tota. Ele comandava o batalhão de Niterói quando o bandido chefiava o tráfico no Caramujo. Transferido no início do ano para 16º BPM, região responsável pelo patrulhamento do Alemão, Jardim voltou a caçar o criminoso, que comanda soldados do tráfico em média 10 anos mais novos. Para se ter uma idéia da quantidade de droga que Tota movimenta na cidade, em fevereiro, a polícia apreendeu uma tonelada de maconha vinda do Mato Grosso do Sul que iria para o Complexo do Alemão e de lá seria enviada para as favelas dominadas pelo CV. De acordo com as anotações do tráfico apreendidas na ocasião, Tota arrecadaria mensalmente R$ 150 mil com venda de drogas, aluguel de armas para outras quadrilhas, cobrança de taxas de comerciantes e outros atos ilícitos. No entanto,a polícia avalia que pelo conjunto de favelas passariam R$ 3 milhões em drogas que são distribuídas pela cidade.

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