Total de mortes de vítimas das chuvas no Rio chega a 229

Total de mortes de vítimas das chuvas no Rio chega a 229

Só a cidade de Niterói concentra 146 mortes. Lá feridos chegam a 43. Na capital, são 63 mortes e 57 feridos

Ricardo Valota, do estadão.com.br

11 de abril de 2010 | 09h48

Segundo dados oficiais do Corpo de Bombeiros chega a 229 o número de mortes e 161 o de feridos pelas chuvas que atingem o Estado do Rio desde a última segunda-feira, 5.

 

 

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Só a cidade de Niterói concentra 146 mortes. Lá feridos chegam a 43. Na capital, são 63 mortes e 57 feridos. No município de São Gonçalo, são 16 mortes e 18 feridos.

 

As cidades de Magé, Nilópolis, Paracambi e Petrópolis registram uma morte cada  e juntas, 43 feridos. As mortes do Morro do Bumba, em Niterói, chegam a 37, das quais uma ocorreu no hospital. A maior dificuldade dos bombeiros que atuam no morro é retirar o entulho debaixo da terra para poder chegar até os corpos.

 

De acordo com o sub-comandante do Corpo de Bombeiros, José Paulo Miranda de Queirós, em alguns pontos foram encontrados corpos até 15 metros abaixo do nível da rua, o que vem exigindo escavações mais profundas do que os técnicos esperavam. "Apesar do bom tempo, a possibilidade de novos deslizamento continuam existindo aqui e em outras áreas de riscos da cidade", admitiu o oficial bombeiro.

 

Durante a madrugada, os bombeiros encontraram, no Morro do Bumba, os corpos de Caíque Carvalho de Jesus, de 6 anos, e da avó dele, Nádia Regina Monteiro de Carvalho, de 49. Ele era filho da auxiliar de cozinha Sabrina Carvalho, de 26 anos, que perdeu os pais, o avô e uma irmã no deslizamento. Sabrina conseguiu salvar apenas o filho Caíque, de 7 meses.

 

"Estamos tirando os móveis da minha irmã. Não dá para continuar aqui", disse pela manhã Reinaldo Guimarães, de 25 anos, que carregava um colchão. Um dos serviços mais procurados pelos era o cadastro de casas, que foram abandonadas ou soterradas. O vigia Edson Santos, de 39 anos, ainda tinha muitas dúvidas. "Eu quero saber se vou ser indenizado. Onde vou morar?"

 

De acordo com o coordenador da Defensoria Pública do Estado do Rio, Petrúcio Malafaia, todos os casos serão analisados e as vítimas serão indenizadas. "Não temos a intenção de buscar culpados, mas vamos analisar como as famílias podem ser ressarcidas."

 

Já o Ministério Público Estadual anunciou que vai investigar a responsabilidade do poder público pela tragédia do Morro do Bumba. O promotor Luciano Mattos, da Tutela Coletiva, Urbanismo e Meio Ambiente, quer saber porque a prefeitura não tomou nenhuma atitude, mesmo estando de posse de estudos da Universidade Federal Fluminense (UFF) que indicavam risco de desabamento nesse e em outros locais da cidade. Segundo Malafaia, também será aberto inquérito para apurar as devidas responsabilidades.

 

Remoção. A prefeitura do Rio anunciou ontem que será reassentada parte dos moradores do Morro do Urubu, em Tomás Coelho, na zona norte da cidade. Na segunda-feira, as demolições das casas situadas em áreas de risco no local começam. Em Niterói, o governador Sérgio Cabral anunciou que a comunidade do Morro do Céu, um lixão próximo do Bumba, será inteiramente removida em curto espaço de tempo.

 

(com Marcelo Auler, Gabriela Moreira e Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo)

 

Atualizado às 16h05

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