Trabalho comunitário pode ter levado mestre de bateria à morte

O trabalho social para evitar que os jovens do Morro da Serrinha, na zona norte, ingressassem no tráfico de drogas, pode ter levado o líder comunitário Antônio Carlos Soares de Araújo à morte. Vice-presidente da associação de moradores da favela e diretor de bateria da escola de samba Império Serrano. Araújo, conhecido como mestre Macarrão, foi assassinado por traficantes em casa, na noite de anteontem. Outra vítima do tráfico foi o sargento da Polícia Militar Cleber Lobo, que trabalhava como segurança da primeira-dama da capital, Mariângeles Maia. Ele morreu depois de ser parado numa falsa blitz perto da entrada da Favela de Manguinhos, zona norte. Mestre Macarrão foi morto com tiros de fuzil na porta de casa, por um grupo de bandidos da favela, onde ele nasceu e foi criado. Moradores contaram que os criminosos queriam dominar a associação e Macarrão não permitia. O sambista foi chamado nos fundos da casa pelos bandidos. O grupo obrigou um taxista a colocar o corpo dentro de seu carro. Ele foi levado então para a delegacia do bairro. A polícia não descarta a possibilidade de o crime ter sido motivado por uma disputa de poder na escola de samba. Segundo o secretário da Segurança Pública, Roberto Aguiar, há 50% de chance para cada hipótese. "Ele era presidente de uma das alas mais tensas do Império Serrano", disse Aguiar.Amigos contaram que ele tinha personalidade forte e postura correta. Durante sua gestão na associação, Macarrão organizou um programa social envolvendo 200 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos, recrutados para fazer replantio de árvores e limpeza da mata. Ele queria evitar que eles fossem cooptados para trabalhar para os bandidos. O corpo do sambista foi velado ontem na quadra da Império Serrano, por integrantes da escola - a presidente da agremiação, Neide Coimbra, disse que esse era seu desejo. O enterro está marcado para hoje às 9 horas, no cemitério de Irajá.

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