Trabalho indígena no corte de cana é investigado

Procuradores da Justiça do Trabalho de Campinas e de Ribeirão Preto estão investigando uma denúncia contra a usina Nova União, com sede em Serrana, que estaria sendo acusada de contratar mão-de-obra indígena ilegal no corte de cana-de-açúcar. Na usina, foram apreendidas carteiras de trabalho em branco dos índios terena, da tribo Lalima, de Miranda (MS), e de outras cidades daquela região.Cerca de 300 índios reclamam das condições subumanas de moradia, alimentação e higiene e que a empresa também não estaria cumprindo o acordo salarial prometido, de cerca de R$ 700,00 por mês.Segundo o procurador do trabalho de Campinas, Ronaldo Lira, a denúncia de irregularidades foi feita ontem pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sertãozinho. "Pegamos várias carteiras de trabalho em branco e verificamos que os alojamentos precisam de reforma e limpeza, ou seja, estão em condições precárias", disse Lira. Um engenheiro do trabalho também acompanhou o grupo. Lira constatou que os índios não utilizavam luvas.Claudio Peles, que trabalha no departamento pessoal da Nova União, em Serrana, disse, no início da tarde de hoje que a empresa tinha acertado o contrato com a Funai de Mato Grosso do Sul para que cerca de 300 índios trabalhassem no corte de cana-de-açúcar da região de Ribeirão Preto e que tudo estava regularizado."O contrato é para 60 dias e o preço do trabalho é o mesmo para todos, mas muitos índios, que nunca fizeram esse serviço, sentiram dificuldades e cortaram menos cana que os outros", explicou Peles. Ele disse que a contratação foi uma "experiência", pois os índios teriam procurado o serviço no ano passado. Peles disse que a diária para os funcionários é de R$ 8,14 e que, quando não atingem esse mínimo, a empresa completa o valor.Os índios informaram aos procuradores que o agenciador do contrato chama-se Laércio, de Regente Feijó. Lira irá investigar se esse homem é o mesmo que levou cerca de 150 índios para trabalhar na região de Presidente Prudente, no ano passado, quando Lira presidiu o inquérito contra a Destilaria Santa Fany. A empresa não cumpriu o acordo de regularizar os contratos dos índios naquela época e o procurador moveu uma ação de execução de R$ 3 milhões, que devem ser destinados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O caso está em andamento.Os representantes trabalhistas visitaram a Usina Santa Lydia, em Ribeirão Preto, que está desativada há vários anos e onde estão alojados os índios. Segundo o auditor fiscal do trabalho, em Ribeirão Preto, Ivanildo Mota de Souza, as investigações devem continuar.

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