"Trabalho infantil não é brincadeira, é crime"

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o governo do Rio Grande do Norte lançaram nesta sexta-feira uma campanha de combate ao trabalho infantil Com o tema "Trabalho infantil não é brincadeira, é crime".A iniciativa envolve investimentos conjuntos de R$ 110 mil, sendo R$ 85 mil do governo do Estado para inserção de anúncios e comerciais na mídia.Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1997, mostram que há pelo menos 60 mil crianças entre 10 e 14 anos nesta situação em todo o Rio Grande do Norte."Este é um passo firme e essencial na busca de eliminar o aviltante quadro do trabalho infantil, que ocorre em residências e propriedades rurais de difícil acesso, muitas vezes mediante incentivo dos próprios pais", afirmou Xisto Tiago de Medeiros Neto, procurador regional do Trabalho, que desde 1993 atua no combate ao trabalho infantil no Estado."Tem muitos empresários e pais respondendo a ações por causa da exploração. Apesar de prisões não interessarem a ninguém, há de ser julgada a responsabilidade dessas pessoas", acrescentou Medeiros Neto.O RN é um dos Estados brasileiros onde a exploração infantil vem diminuindo nos últimos anos. "Mas se existir um caso, é sempre um fato grave", frisa o procurador.O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), do governo federal, investe quase R$ 1 milhão, por mês, beneficiando 26 mil crianças. As maiores vitórias do Estado foram a retirada de crianças de locais como lixões, cerâmicas, tecelagens, pedreiras, canaviais e moagem de sal.Segundo Wandeci Holanda, coordenadora do Peti, no Rio Grande do Norte, já foram registrados casos graves, como o de uma criança que, ao ser retirada de uma mina, não sabia se era dia ou noite."Muitas meninas trabalham escondidas da fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho, como babás, cozinheiras e empregadas domésticas".Uma parceria da prefeitura do Natal e do governo estadual retirou mil crianças que trabalhavam em um lixão da cidade.A campanha de conscientização será veiculada na TV a partir de domingo até dezembro. As imagens são fortes, quase sem locução, interpondo situação de trabalho infantil com cantigas de rodas ao fundo."Criança que trabalha não vai para a escola, perde a infância, passa até 12 horas por dia trabalhando e ganha menos que os adultos, perpetuando a miséria", destaca o publicitário Rogério Nunes, um dos criadores da campanha.Foram produzidos 15 mil cartazes para serem fixados em escolas e órgãos públicos. Além disso, há um disque-denúncia para casos de exploração de crianças no trabalho : (0xx84) 220-2036.

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